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Anjos e demónios?

Diário de Notícias ·

1.

Terminado o verão, ficou-me a esperança de que o outono nos trouxesse uma atualidade refrescada.

Enganei-me.

Continua em exibição, numa televisão perto de si, a mais longa, maçadora, repetitiva e enjoativa telenovela de que tenho memória: o Caso Luís Neves .

O argumento é confuso, mal construído e inverosímil, com agravante de ser acrescentado diariamente.

Os atores amadores não podiam ser piores.

O cenário oscila, sem arte, nem imaginação, entre um estúdio de televisão e os corredores de São Bento.

A realização, se existe, é um desastre! A estória gira à volta de um mote (e de um monte): “É uma vergonha!” Tudo é uma vergonha: transformar um tanque numa piscina; usar o desenrascanço nacional para fazer face à escassez de recursos de uma entidade pública; conduzir um veículo apreendido a um narcotraficante; cometer uma imprecisão ao referir o custo da destruição de bens apreendidos; etc.

Quem assim discorre, que palavra usará quando tiver que referir comportamentos verdadeiramente graves: um caso de pedofilia? Uma séria difamação? Um crime de incitamento ao ódio e à violência? Um crime de violência doméstica? Ou, mesmo, o furto de malas no aeroporto? A banalização do uso do termo “vergonha” tem como resultado que já ninguém tem vergonha de coisa nenhuma.

O que é uma pena porque na vida pública abundam os comportamentos cujos autores deveriam, efetivamente, ter vergonha.

2.

Pior ainda do que a utilização desmedida do termo “vergonha” é a utilização abusiva do termo “criminoso”.

Criminoso é aquele que cometeu um crime – comportamento previsto e punido pelo Código Penal – e foi por ele condenado por sentença transitada em julgado, isto é, insuscetível de recurso.

Criminosos não são aqueles de quem alguém não gosta, como os industânicos, que a extrema-direita doméstica abomina, por serem pobres e escuros; ou os norte-americanos votantes no Partido Democrático, por muito que Presidente do EUA lhes cole tal epíteto.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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