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Quem vai mandar no orçamento

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Longe dos palanques, no escurinho dos gabinetes da Praça dos Três Poderes, boa parte do que o próximo presidente vai poder fazer já está decidida.

Cerca de R$ 50 bilhões do Orçamento de 2026, perto de um quinto de toda a despesa discricionária federal, estão hoje nas mãos dos parlamentares, via emendas impositivas.

A moeda da governabilidade deixou de ser ministério e passou a ser liberação de verba carimbada.

Ninguém fala nisso na campanha.

Junte-se a isso a jogada mais consequente do ciclo, que não é candidatura nenhuma.

PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e MDB decidiram em convenção não apoiar ninguém à Presidência.

O cálculo é transparente: elegem o máximo de deputados e senadores sem se desgastar na polarização e chegam a 2027 com o poder de veto intacto.

Quem ganhar em 4 de outubro toma posse sem maioria contratada e com a faca e o queijo na mão dos outros.

Os programas reconhecem o problema.

As curas não convencem.

Ronaldo Caiado quer obrigar 100% das emendas a irem para obras da carteira do Executivo, o que respeita a letra da Constituição, esvazia o sentido dela e garante uma queda de braço logo na largada.

Romeu Zema oferece dois reais do Tesouro por cada real que o parlamentar puser num projeto do governo: em Minas comprava influência sobre dinheiro alheio, na Presidência gastaria três para decidir um.

Flávio Bolsonaro e Renan Santos dependem de maiorias qualificadas que não terão.

E Lula, cujo programa chama a distorção pelo nome e promete repactuar o Orçamento e uma reforma política "inadiável" que não detalha, antecipou emendas para garantir margem fiscal.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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