Geração talvez
Em 2019, numa sondagem à boca das urnas , metade dos eleitores entre os 18 e os 24 anos votou Partido Socialista, Bloco de Esquerda, CDU ou PAN.
Em 2025, num exercício equivalente , a Aliança Democrática e o Chega somaram 56%.
O PS teve 25% entre os mais novos em 2019, quando valia 36% no país, e, mesmo na maioria absoluta de 2022 , ficou nos 27% entre os menores de 25 anos, contra 41% no total; em 2025, caiu para 11%, quando o país lhe deu 23% .
Entre os jovens, o PS vale hoje menos de metade do que vale no país.
Não foi sempre assim.
Entre 2002 e 2019, os estudos eleitorais mostravam PS, BE e centro-direita a disputar o voto jovem de forma estável.
Um estudo de oito legislativas conclui que, em 2022 e 2024, a direita passou a ter um eleitorado mais jovem do que a esquerda, invertendo duas décadas.
A erosão não é só do PS.
Em 2025 , o BE perdeu mais de metade do apoio entre as mulheres com Ensino Superior, a CDU continuou a perder os mais novos e, entre os homens com menos de 25 anos, a IL já tinha mais votos do que o PS.
O único partido de esquerda a crescer, e a crescer sobretudo entre os jovens, foi o Livre.
A síntese é esta: a esquerda cresce entre os jovens quando se apresenta com ideias novas, não quando promete apenas assegurar o que já existe.
Não é um acaso.
Norberto Bobbio situou na atitude perante a igualdade a fronteira mais persistente entre esquerda e direita, e a social-democracia acrescentou-lhe uma condição: ninguém exerce uma liberdade para a qual não tem condições materiais.
A escola pública, o SNS e os direitos no trabalho davam a quem nascia com menos uma hipótese de começar mais à frente do que os pais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.