Presidente de Taiwan pede que não se exclua energia nuclear na ilha
O Presidente taiwanês, Lai Ching-te, defendeu hoje que Taiwan não descarte a energia nuclear "por razões ideológicas" e pediu que se pondere retomá-la, após encerrado o último reator em 2025, cumprindo uma das principais promessas do seu partido.
Numa entrevista concedida ao comentador financeiro Yu Ting-hao, divulgada pela agência CNA, Lai sustentou que nenhuma fonte de energia deve ser excluída por razões ideológicas, nem a sustentabilidade ambiental sacrificada em prol de benefícios de curto prazo.
O responsável observou que o parlamento taiwanês, controlado pela oposição, já aprovou legislação que permite retomar a produção de energia nuclear, e que a empresa estatal de energia Taipower prepara a sua possível reativação.
Segundo Lai, o Governo poderá avançar, caso uma avaliação técnica solucione as questões de segurança e de gestão de resíduos radioativos, e se obtiver apoio da população.
As declarações do líder taiwanês contrastam com a posição histórica do partido no poder, o Partido Democrático Progressista (PDP), que durante anos defendeu uma política de "pátria livre de energia nuclear", o que culminou no encerramento do último reator, em Maanshan, em maio de 2025.
Um referendo realizado em agosto de 2025 sobre a reativação desta central não atingiu o quórum mínimo de votos exigido para ser vinculativo e, em agosto deste ano, o parlamento aprovou a convocação de uma nova consulta para instar o Governo a abandonar a sua política antinuclear.
O próprio Lai, quando ocupou o cargo de primeiro-ministro, entre 2017 e 2019, se declarou favorável ao aumento da produção de energia através de gás natural e rejeitou o prolongamento da vida útil das centrais nucleares que estavam em funcionamento.
Em março deste ano, o Presidente já tinha, contudo, aberto a porta à possibilidade de um regresso à energia nuclear, ao anunciar que a Taipower iria analisar a reativação das centrais de Kuosheng e Maanshan.
O ministro dos Assuntos Económicos, Kung Ming-hsin, alertou, na altura, que as inspeções de segurança poderiam demorar entre um ano e meio e dois anos, sem contar com a posterior avaliação por parte da entidade reguladora.
O debate ganha relevância perante a crescente procura de energia elétrica por parte da indústria tecnológica taiwanesa, especialmente dos fabricantes de semicondutores e das empresas ligadas à Inteligência Artificial (IA).
Segundo dados oficiais, o gás natural representou mais de 47% da produção de energia elétrica de Taiwan em 2025, seguido do carvão (35,4%) e das fontes renováveis (13,1%), ao passo que se prevê um crescimento da procura anual de até 2,5% entre 2026 e 2035.
A dependência de combustíveis importados expõe também a ilha a interrupções no fornecimento, enquanto o Governo tenta expandir as fontes renováveis e garantir eletricidade suficiente para a sua indústria tecnológica.
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