OMS pede mais soberania sanitária para África face a cortes globais
T edros transmitiu esta mensagem numa reunião ministerial regional, na Namibia, organizada pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África (CDC de África), a agência de saúde pública da União Africana (UA).
O alto responsável destacou os progressos de saúde alcançados por África nos últimos 25 anos, com "um aumento da esperança de vida superior a 10 anos, uma queda da mortalidade materna de mais de um terço e uma redução da mortalidade infantil de mais de metade".
"Em resumo, os povos de África vivem mais tempo e têm vidas mais saudáveis do que nunca. Isto é motivo de celebração", afirmou.
No entanto, alertou que o continente continua a enfrentar "graves desafios", como "o aumento das doenças não transmissíveis e dos transtornos de saúde mental, as epidemias e pandemias, os efeitos da mudança climática e da poluição na saúde, a insegurança, o deslocamento, a resistência aos antimicrobianos, a falta de pessoal de saúde e o acesso desigual aos serviços e produtos de saúde".
"Todos estes desafios tornaram-se mais difíceis devido aos cortes súbitos no financiamento internacional para a saúde", disse Tedros, referindo que a ajuda oficial ao desenvolvimento caiu "cerca de 40%", segundo indicadores de 2025.
O diretor-geral da OMS afirmou que muitos líderes africanos entenderam esta crise como "uma oportunidade para deixar para trás a era da dependência e tornar realidade o sonho há muito esperado da soberania sanitária africana".
"A fonte mais eficiente e equitativa de financiamento em saúde é o orçamento nacional", afirmou, ao defender novos rendimentos através de impostos sobre o tabaco, o álcool e as bebidas açucaradas.
Segundo Tedros, "ampliar a produção nacional e regional de medicamentos, vacinas e diagnósticos é essencial, não apenas para a segurança sanitária, mas também para o emprego, a inovação e o crescimento económico".
"Em última análise, a saúde não é um custo que deve ser contido. É um investimento que devemos cuidar nas pessoas, na estabilidade e na África que todos queremos. Uma África mais saudável, mais segura e mais justa", assegurou.
Como exemplo dessas necessidades, mencionou a atual epidemia do vírus Ébola no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), cuja deteção e resposta foram fortemente impactadas pelos cortes, segundo denunciado por especialistas e organizações.
"Esta epidemia de Ébola é um lembrete de que uma ameaça para um país é uma ameaça para todos, e que sistemas resilientes e autossuficientes e a solidariedade regional são a nossa melhor proteção", concluiu Tedros.
A quinta reunião do Comité Diretivo Ministerial Regional dos CDC de África para a África Austral realiza-se num contexto marcado pelos drásticos cortes de ajuda internacional impostos pelos Estados Unidos e vários países europeus desde o ano passado, que colocaram em risco a saúde e a vida de milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em África.
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