Um exercício - e alguns números - sobre a Educação
A CGTP anunciou recentemente uma greve da administração pública para o próximo dia 2 de outubro, naquela que pode ser também a primeira paralisação das escolas do ano letivo 2026/2027.
A informação pode ter passado meio despercebida a alguns, numa altura em que o país se chocava e chorava a perda de Jorge Palma, mas não é algo que se deva esquecer e que não mereça a nossa atenção.
O ano escolar terá, então, começado há três semanas, e a entrega do Orçamento do Estado para 2027 está prevista para a semana seguinte.
Naturalmente que a data foi escolhida com o propósito de marcar as negociações do documento, mas não deixa de ser curioso que, mais uma vez, tenha sido escolhida uma sexta-feira, concretamente em véspera de um fim de semana prolongado, para marcar uma paralisação dos profissionais da função pública.
Mas deixemos, para já, esta questão de lado e foquemo-nos em outras, porque se a educação está na agenda do dia, é preciso colocar todas as questões em cima da mesa: 1.
Ao longo dos últimos anos e, sobretudo, nos últimos meses, os pais dos alunos – e a sociedade no geral – estiveram genericamente do lado dos professores e do pessoal não docente.
As reivindicações são justas, as condições em que trabalham são muitas vezes terríveis e estas são as pessoas que tomam conta, que fazem crescer, as nossas futuras gerações: merecem todo o respeito e dignidade.
2.
Mais uma vez, o ano escolar começou com problemas: alunos que não foram colocados, professores que não foram colocados, docentes que apresentaram baixa no início do ano (já vamos em 6000 – seis mil – desde que as aulas começaram, há uma semana e meia)... ainda assim, e muito graças à trapalhada que envolveu a correção dos exames nacionais, os professores e auxiliares de ação educativa continuam a ter muito apoio público de grande parte da população, que tem apontado baterias a Fernando Alexandre.
O ministro, aliás, foi novamente ontem ouvido no Parlamento, tal como o DN lhe conta na edição de hoje.
3.
A greve da administração pública é convocada por razões válidas: “Os trabalhadores das carreiras de regime geral estão cada vez mais à mercê da estagnação salarial e da desvalorização dos seus salários reais, sujeitos a um processo em que as remunerações são empurradas para baixo e mais próximas do salário mínimo nacional”, alega a CGTP em comunicado.
E deverá ter especial impacto nas escolas, como o DN escreveu na sua edição de ontem, citando Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas: “Vamos entrar na terceira semana de aulas com uma greve, que irá ter uma grande adesão”, admitiu o responsável, que avisou já para a possibilidade de novas paralisações, nos próximos meses que prevê de “contestação”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.