Kyiv acusa Moscovo de usar migração para "desestabilizar a Europa"
N uma mensagem nas redes sociais, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, deu como exemplo a "exploração" da crise em Ceuta após a entrada de milhares de migrantes de forma irregular a partir de Marrocos no final de julho.
"[O Presidente da Rússia, Vladimir] Putin procura fomentar a migração para a Europa, e o bloqueio do Mar Negro faz parte do seu plano", afirmou Sibiga, frisando que "o terror da Rússia não se limita à Ucrânia, mas também ameaça países de África, do Médio Oriente e da Ásia".
"As famílias vulneráveis dos países dependentes das importações de alimentos sofrerão as consequências das ações de Moscovo de forma mais direta: através do aumento dos preços dos alimentos e da escassez, fatores que provocam desnutrição e fome", explicou na mensagem.
O chefe da diplomacia ucraniana sustentou que Moscovo procura com isso "desestabilizar a Europa", antes de destacar que "Putin aposta na ideia de que a fome e a escassez de alimentos podem provocar um afluxo de migrantes".
"É precisamente isso que procura, sobretudo tendo em vista as eleições que se realizarão no próximo ano nos Estados-membros da União Europeia (UE)", advertiu.
Em 2027 estão previstas eleições legislativas na Eslováquia, Espanha, Estónia, Finlândia, Grécia, Itália e Polónia, além das presidenciais que terão lugar em França. A estas juntam-se a eleição de presidentes pelos parlamentos da Alemanha, Eslovénia e Letónia.
"Putin sabe que a migração é uma das questões mais sensíveis e que dividem as campanhas eleitorais europeias, especialmente depois de comprovar a eficácia com que redes ligadas à Rússia exploraram a recente crise de Ceuta", afirmou Sybiha, que reiterou que Moscovo "usará todos os meios ao seu alcance para aumentar a migração para a Europa".
Assim, apontou igualmente a Bielorrússia como parte desta alegada estratégia por parte de Moscovo e salientou que a Lituânia descobriu recentemente vários túneis clandestinos escavados a partir da Bielorrússia, destinados a introduzir migrantes ilegalmente através da fronteira.
"Moscovo acredita que a sua estratégia gerará tensões, semeará a divisão, fortalecerá os movimentos radicais antieuropeus e, em última instância, enfraquecerá o apoio da Europa à Ucrânia", afirmou.
"Apoiar as exportações agrícolas da Ucrânia e desbloquear a liberdade de navegação no Mar Negro tem um valor estratégico e existencial tanto para a UE [União Europeia] como para a comunidade internacional no seu conjunto", acrescentou.
Por isso, Sybiha sublinhou ser necessária "uma ação urgente" para garantir o transporte marítimo comercial ininterrupto a partir dos portos ucranianos, desenvolver todas as rotas e mecanismos alternativos possíveis para o transporte de mercadorias através da UE e prestar o máximo apoio aos agricultores ucranianos.
"Outra prioridade fundamental é desenvolver e implementar conjuntamente uma estratégia europeia para combater as campanhas de desinformação, ingerência e manipulação da Rússia. A Ucrânia está disposta a contribuir com a sua valiosa experiência", concluiu o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano.
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