O futuro da filantropia em Portugal: da experiência ao sistema
The Equator Company foi parceira da Rede Capital Social e da PwC no desenvolvimento do estudo “Filantropia Estratégica em Portugal: Caminhos para a Mudança Sistémica”.
Nas últimas semanas, tive a oportunidade de apresentar as recomendações deste estudo sobre filantropia estratégica em Portugal, a conclusão de um trabalho de alguns meses que me permitiu olhar com outra perspetiva para temas que trabalho diariamente.
Para além das recomendações que o estudo propõe, têm sido muito interessantes as conversas que tem provocado.
Esta reflexão tenta explorar o que temos visto mudar, e o que continua a resistir, num ecossistema que acompanhamos de perto há muitos anos.
O diagnóstico central do estudo é simples de enunciar, mas difícil de aceitar: o problema em Portugal não está na quantidade de filantropia praticada, está na natureza dessa filantropia.
Os dados confirmam-no com clareza.
Entre 50% e 70% das receitas das organizações sociais portuguesas dependem de financiamento público, o que significa que a filantropia opera dentro de um sistema já estruturado por uma determinada lógica, com outros ritmos e outras exigências.
Este ponto de partida importa porque muda a pergunta que fazemos.
Em vez de perguntar apenas como conseguir mais filantropia (o reforço continua a ser necessário), o estudo convida-nos a perguntar como fazer filantropia de outra forma.
Este diagnóstico não nos surpreendeu.
Confirmou algo que temos observado no terreno há anos desde que acompanhamos os dois lados deste ecossistema: financiadores a desenhar estratégias e critérios de investimento social, e organizações a tentar transformar esse apoio em impacto real junto das comunidades.
Esta posição privilegiada permite-nos confirmar um dos achados mais interessantes do estudo.
Existe proximidade genuína entre financiadores e organizações sociais, com cerca de 80% das organizações a descrever uma relação regular e próxima com os seus principais apoiantes.
Mas essa proximidade convive, lado a lado, com frustrações estruturais em ambos os lados da mesa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.