“É legítimo, mas não tem solução”: o que está por trás dos protestos em França
O que começou a 21 de setembro num liceu nos arredores de Paris transformou-se, em poucas semanas, numa das maiores vagas de protestos estudantis em França das últimas décadas.
Centenas de estabelecimentos foram bloqueados ou encerrados, alunos, professores e pais voltaram às ruas e as reivindicações, inicialmente centradas nas condições das escolas, ganharam uma dimensão nacional.
A manifestação continua a ser uma das formas mais habituais de expressão da contestação em França.
Paris mantém um papel central, por concentrar as instituições de poder, mas a mobilização não se limita à capital e tem vindo também a ganhar expressão noutras cidades.
A violência não é uma característica exclusiva dos protestos atuais nem surgiu com esta vaga estudantil.
Falta de professores, salas sobrelotadas, edifícios degradados, falta de recursos e críticas ao sistema de acesso ao ensino superior através do Parcoursup estão entre as principais queixas.
Mas, à medida que a mobilização cresceu, também se multiplicaram os episódios de violência, com barricadas, incêndios, lançamento de objetos e confrontos com a polícia.
Para Hermano Sanches Ruivo, jurista e primeiro vereador de origem portuguesa em Paris, a dimensão atual da mobilização distingue-a de anteriores protestos estudantis.
A particularidade está também na origem do movimento.
Desta vez, foram sobretudo alunos do ensino secundário que deram início aos protestos, antes de estes ganharem o apoio de estudantes universitários e de outros setores.
“Há claramente um problema” no ensino francês, afirma ao 24notícias .
O que se passa nas escolas? O jurista identifica dois problemas centrais: o financiamento e as prioridades políticas.
A expansão do acesso ao ensino superior nas últimas décadas aumentou o número de jovens que procuram prosseguir estudos, mas, na sua perspetiva, as instituições não foram preparadas para responder a essa procura.
A pressão sente-se também no ensino secundário.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em 24.sapo.pt — o conteúdo pertence a SAPO24.