França pede desculpa após ciberataque que expôs dados de 678 mil contribuintes
O Governo francês pediu esta terça-feira desculpa aos 678 mil contribuintes afetados por um ataque ao sistema informático da autoridade tributária francesa que permitiu o acesso ilegal a dados pessoai s, como rendimento, taxas de retenção de IRS e moradas.
“Sim, pedimos desculpa, porque o que aconteceu é intolerável”, reconheceu o ministro da Ação e das Contas Públicas, David Amiel , numa conferência de imprensa realizada hoje em Paris, dias depois de o fisco confirmar ter sido alvo de “acessos ilegítimos” em junho e julho.
Em causa está um ataque ocorrido em dois momentos, no final de junho e no final de julho, reivindicado num fórum ‘online’ na semana passada, em 12 de agosto, por um agente que admitia ter acedido ao sistema de informação da Direção-Geral de Finanças Públicas (DGFIP, na sigla francesa), a autoridade tributária francesa.
Secretas querem tutelar a cibersegurança Ler Mais Na conferência de imprensa de hoje, a diretora-geral do fisco, Amélie Verdier, disse que o Estado francês foi alvo de um terceiro ataque este verão , de menor dimensão, detetado na segunda-feira, com acesso a dados dos contribuintes sobre heranças.
De acordo com a informação divulgada pelo Ministério da Ação e das Contas Públicas em 14 de agosto e atualizada dia 17, os acessos ilegais dos primeiros ataques permitiram a consulta e a extração de dados de 678 mil contribuintes (cerca d e 350 mil particulares e 250.000 empresas), como o rendimento, o quociente familiar ou a taxa de retenção na fonte e, no caso das empresas, informações como a denominação social e o Nú mero de Identificação Fiscal francês.
Também foram consultados “dados cadastrais relativos a moradas e áreas de bens imóveis”, referiu o ministério francês.
Devido à “sofisticação do ataque”, as inspeções realizadas entretanto não permitiram confirmar se as intrusões permitiram roubar dados , referiu então o ministério, que garantiu ainda que as palavras-passe dos contribuintes não foram comprometidas.
No entanto, o fisco francês decidiu suspender o acesso a todas as contas utilizadas nos incidentes identificados .
A DGFIP prometeu entrar em contacto diretamente com cada um dos contribuintes visados durante esta semana, dando a conhecer, por ‘e-mail’ ou por correio, quais os dados específicos que foram consultados ou extraídos, e que medidas devem os visados adotar.
Em relação às consequências do acesso ilegal, o fisco francês avisou que o acesso ilegal às informações pode dar lugar a possíveis tentativas de burla através de mensagens (‘phishing’) ou de chamadas fraudulentas (em que os atacantes mencionam os dados pessoais acedidos) com o objetivo de obter informações confidenciais.
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