Interpol prepara-se para usar inteligência artificial na luta contra o terrorismo
A Interpol está a preparar uma estratégia para utilizar a inteligência artificial (IA) na luta contra um terrorismo cada vez mais difuso, rápido e transnacional, explicou à EFE a comissária principal e diretora de Contraterrorismo da organização, a espanhola Carmen Muñoz González.
A responsável espanhola advertiu, no entanto, que a organização está a avançar com cautela na utilização desta tecnologia, cujo uso ainda levanta questões legais.
“Somos muito cuidadosos. Não queremos lançar-nos no vazio sem ter um enquadramento legal e sem ter muito claro o que se pode fazer e o que não se pode”, afirmou.
A estratégia que a Interpol está a preparar deverá estabelecer precisamente esse enquadramento e, sobretudo, garantir que exista uma “validação humana” das decisões.
A organização conta com especialistas em IA no seu centro de inovação em Singapura e com unidades dedicadas, entre outras áreas, ao combate ao terrorismo cibernético e à proliferação de armas biológicas.
Muñoz assumiu em fevereiro passado a Direção de Contraterrorismo da Interpol, depois de uma carreira iniciada em 1996 e que a levou por unidades antiterroristas em diferentes pontos de Espanha. Também dirigiu durante seis anos o Escritório Central Nacional da Interpol em Madrid.
É a primeira mulher a ocupar este cargo, o de maior nível hierárquico desempenhado por um espanhol na organização. “Para mim é uma satisfação, porque representa o culminar da minha carreira”, reconhece.
A sua experiência em Espanha é uma das ferramentas que quer colocar ao serviço da Interpol. Espanha, recorda, aprendeu durante décadas que o terrorismo era um fenómeno que “tinha de ser combatido a partir de diferentes ângulos”. Além dos comandos, era necessário combater o financiamento, a logística e a propaganda, reforçar a cooperação internacional e trabalhar com juízes e procuradores.
“Atualmente, o terrorismo é muito mais difuso”, explicou. A radicalização é “muito mais rápida”, as redes sociais facilitam o recrutamento de jovens e, embora detete uma menor ideologização, observa “mais violência nos ataques terroristas”.
Além disso, tudo está muito globalizado. “Podemos ter a pessoa que está a fazer a propaganda terrorista num país, a pessoa que está a fornecer explosivos ou documentos falsos noutro e a pessoa que vai realizar o ataque noutro”, explicou.
Neste contexto, a cooperação internacional é indispensável, precisamente quando se torna mais complicada.
“O momento geopolítico não é o melhor para a cooperação multilateral”, admite. “Há muita polarização” e os países estão “mais relutantes em fornecer dados”; alguns preferem as vias bilaterais e gera-se uma perda de confiança.
A principal limitação da Interpol é depender da boa vontade dos países, que são quem decide que informação partilham e com quem.
“Mas a força da Interpol é sermos uma organização neutral”, sublinha. “Continuamos a ter o canal aberto aos 196 países membros” e estamos aqui para lhes disponibilizar “todas as ferramentas”, entre as quais se incluem bases de dados com informações de inteligência, notificações e canais de cooperação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.