França em chamas, recolher obrigatório e estado de emergência: o ponto da situação
As cidades estão a arder, há centenas de pilhagens e feridos todos os dias, mas um casal sentado calmamente num café tornou-se um dos símbolos dos protestos que continuam em França, e que já levaram à medida drástica de um recolher obrigatório em algumas das maiores cidades do país.
Já era de noite, perto do Arco do Triunfo, quando o casal foi apanhado num cenário que podia ser de apocalipse. Enquanto tomam uma bebida com toda a calma do mundo, lá atrás há um dos muitos focos de incêndio que por estes dias deixam Paris incandescente.
Paris e não só. Nice, Lyon, Lille… as maiores cidades de França estão todas mergulhadas num caos que começou contra a falta de condições nas escolas, mas que já se multiplicou.
Lá no sul, na cidade costeira de Nice, a quinta maior de França, o recolher é obrigatório para todos os menores entre as 21:00 e as 06:00. O autarca da cidade confirmou que a medida se aplica às zonas centrais da cidade, onde “foram cometidos os atos de violência mais graves”.
Eric Ciotti garantiu que a ordem foi tomada em consonância com o prefeito da região dos Alpes-Marítimos, sendo que o objetivo passa por “proteger o povo de Nice” contra um grupo de “rufias” que têm atormentado a cidade.
Para já as medidas vão ficar em vigor até domingo, mas as autoridades admitem fazer mais, caso seja necessário.
Ali ao lado, na segunda maior cidade francesa, Marselha, não há, para já, recolher obrigatório, mas os ajuntamentos e os protestos foram proibidos.
Voltando a Paris, o primeiro-ministro excluiu, para já, um recolher obrigatório total, mas está em cima da mesa um possível estado de emergência, caso a situação não acalme. Para já, Sebastien Lecornu quer limitar as medidas a confinamentos parciais e localizados às zonas mais problemáticas.
“A minha determinação para restaurar a ordem é total”, reiterou, sendo que também os protestos estão impedidos em algumas zonas da capital.
Ainda que apelando à calma nas ruas, os sindicatos também estão na luta, estando a ser estudada uma greve e um grande protesto para o dia 5 de novembro.
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