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A ameaça russa está cada vez mais perto da Europa? — Debate

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A ameaça russa está cada vez mais perto da Europa? — Debate

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Muito bom dia. As três eleições deste fim de semana não correram mal a Vladimir Putin. Na Rússia, o seu partido obteve a vitória que se esperava por uma margem ainda maior, o que não sendo surpresa, pode deixar o Kremlin mais à vontade para aumentar a mobilização militar. Já na Alemanha, a vitória de dois extremos, a AfD no Meclenburgo-Pomerânia Ocidental e do Die Linke, a esquerda em Berlim, enfraqueceu ainda mais o chanceler Merz e a coligação no poder, para além de representar a vitória de dois partidos com simpatias putinistas. Tudo isto depois de semanas em que as ameaças híbridas ao espaço da União Europeia aumentaram. No Contracorrente de hoje, vamos precisamente perceber até que ponto estará a Europa cada vez mais exposta à ameaça russa. José Manuel, bom dia.

Pelo menos inquietos. E acho que preocupados não é um mau termo, porque nós estamos num período indiscutivelmente difícil. Porque conjugam-se vários fatores e um desses fatores é, talvez não se esperasse que fosse exatamente assim. Para todos os efeitos, é preciso assumir que o regime putinista, o regime russo, é resiliente. Uma das coisas mais relevantes, porventura até mais impressionantes dos últimos tempos, é que a popularidade de Putin tem aumentado na Rússia. Quer dizer, pelo menos mantém-se estável. A popularidade estava na casa dos 60 e poucos por cento, antes da guerra na Ucrânia, e saltou para 70%. Podemos duvidar da fiabilidade das sondagens, mas haverá poucos líderes no mundo, sobretudo líderes há tanto tempo, que possam dizer que têm este nível de popularidade. É evidente que isto sucede porque se conjugam, e eu acho que é preciso ter consciência disso, dois fatores. Um fator é a Rússia era uma, não sei se há de chamar-se uma democracia incompleta, apesar de tudo tentava fingir que era uma democracia e hoje é um regime autoritário, ponto final, parágrafo. Ainda é pluripartidário, ainda há mais do que um partido, não é só a Rússia Unida, mas por exemplo, um partido que defenda a paz ou que defenda o fim da guerra, simplesmente, abertamente. Havia um partido nessas condições, que era o Yabloko, mas não podia fazê-lo. Não se pode ser contra a guerra. E isso, naturalmente, num país onde os órgãos de informação estão totalmente controlados pelo regime, onde não há liberdade política, onde a mais pequena dissidência é de facto perseguida, mesmo quando se trata de dissidência entre os nacionalistas pró-guerra, digamos assim. Tudo isto é uma velha tradição de exercício do poder russo ou soviética, porque as coisas não começaram só no tempo da União Soviética, que não muda. E depois há outro fator que eu acho que para todos os efeitos temos que ter em consideração, porque muitas vezes tendemos, talvez influenciados pela nossa maneira de olhar o mundo a partir dos valores ocidentais ou europeus, ao menos que nós tendemos a identificar com uma certa visão da Europa e com uma certa visão do Ocidente, mas que do ponto de vista dos russos, têm uma noção deles próprios de grande império.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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