Sustentabilidade em Portugal: da consolidação à transformação
Portugal tem feito um caminho assinalável na integração da sustentabilidade nas políticas públicas, nas estratégias empresariais e em decisões de investimento, refletindo maior consciência ambiental, um quadro regulatório mais sólido e investimentos orientados para melhorar a qualidade de vida, a competitividade e a resiliência do país.
Os progressos são visíveis no abastecimento de água segura, que atingiu 98,86% em 2024, face aos 77,35% registados em 2000; na gestão de resíduos, recolhemos, de forma seletiva, em 2022, seis vezes mais resíduos urbanos do que em 1999; na qualidade do ar, em que se registou uma tendência global decrescente na percentagem de dias com classificação de “Fraco” e “Mau”, entre 2002 e 2024; e uma integração crescente das preocupações climáticas nas políticas públicas.
Portugal afirmou-se, perante os seus pares europeus, como uma referência na transição energética, tendo as energias renováveis, em 2024, representado cerca de 66% da produção de eletricidade, e as emissões de gases com efeito de estufa diminuído 38,1%, face a 2005.
O futuro será ainda mais exigente.
As alterações climáticas têm impactes cada vez mais intensos no território, nos ecossistemas, na economia e na segurança das populações, com fenómenos recorrentes.
Segundo a última edição do Relatório do Estado do Ambiente, 2024 foi o quarto ano mais quente em Portugal Continental, desde 1931, com oito ondas de calor, confirmando que os fenómenos extremos exigem maior antecipação e adaptação.
Num país vulnerável à seca e à desertificação, sobretudo no Sul, onde, em 2024 se registou seca meteorológica em 10 meses do ano, a gestão eficiente da água será decisiva para a resiliência dos territórios, a sustentabilidade das atividades económicas e o equilíbrio dos ecossistemas.
A água tem de ser considerada como um recurso estratégico fundamental, exigindo planeamento rigoroso, monitorização contínua, cooperação internacional e investimento.
Também os atuais níveis de produção e consumo de recursos materiais, associados ao crescimento da população, tornam urgente a transição para uma economia circular e sustentável.
Este modelo económico vai além da gestão de resíduos, passando por repensar processos produtivos, manter os produtos em uso por mais tempo na economia, através da reutilização e reparação, alterar padrões de consumo e criar novas cadeias de valor.
Este desafio torna-se mais urgente quando a taxa de utilização circular de materiais em Portugal era de 3% em 2024, abaixo da média da UE-27 de 12,2%, com a deposição em aterro ainda a representar 54% do destino dos resíduos urbanos em Portugal continental nesse mesmo ano.
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