Armas para todos, cortes nos apoios sociais e guerra aos traficantes: Lula e Flávio Bolsonaro ainda não foram a debates, mas já deram spoilers de como será o primeiro frente a frente
Lula da Silva e Flávio Bolsonaro encontram-se pela primeira vez este domingo desde o início das campanhas presidenciais. Os candidatos boicotaram todos os debates realizados até ao momento, mas agora confirmaram a presença no evento organizado pela TV Bandeirantes e que será transmitido em direto pela CNN Portugal. Apesar de ser a primeira vez que os candidatos se enfrentam em rede nacional, os temas que serão abordados são previsíveis e já foram centrais em entrevistas realizadas recentemente.
Segundo o jornal O Globo, Lula da Silva pretende explorar alegações de que Flávio Bolsonaro estaria a planear cortes em benefícios sociais para diminuir a despesa pública. Por outro lado, o candidato de extrema-direita deverá centrar-se em temas relacionados com a segurança pública, que, segundo uma sondagem do Datafolha divulgada na quinta-feira, é a principal preocupação dos brasileiros.
Todos estes temas foram amplamente abordados pelos candidatos nos últimos dias, e os dois chegaram a ser questionados sobre isso em entrevistas concedidas à TV Globo. As entrevistas, no entanto, não decorreram sem polémicas, uma vez que a estação foi acusada de abordar pouco ou sem a necessária pressão os temas mais sensíveis às campanhas.
Lula da Silva chegou, inclusivamente, a fazer acusações contra a estação: "Eu quero dizer para vocês que a partir de hoje a Globo está sob suspeição da minha candidatura, não merece confiança, não merece", afirmou. A declaração surgiu depois de ter sido noticiado que responsáveis do canal televisivo realizaram um almoço com Flávio Bolsonaro no dia da entrevista.
Flávio Bolsonaro pretende abordar a segurança pública como um tema central durante o debate. O candidato afirma que o Governo Federal não soube agir para melhorar a vida dos cidadãos e promete medidas duras, assim como a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.
Uma das soluções apresentadas pelo candidato é permitir que a população possua armas de fogo. "Hoje, o Estatuto do Desarmamento proíbe o cidadão de se defender e autoriza os marginais a comprarem armas de guerra, porque não tem fiscalização nenhuma. O problema está nas armas na mão das pessoas erradas", disse à Globo.
Esta medida foi adotada entre 2019 e 2022 pelo governo de Jair Bolsonaro. Na época, as regras para a compra de armamento por colecionadores de armas, atiradores e caçadores (categoria designada por CACs) foram flexibilizadas, e o número de armas registadas por ano aumentou de 59 mil, em 2018, para 431 mil em 2022, segundo o g1.
Estes indivíduos, contudo, são apontados em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público da Bahia e de São Paulo como fornecedores de armas ao crime organizado. Os criminosos estariam a utilizar estas armas para realizar assaltos a carros-fortes e bancos.
Outras promessas do candidato são a redução da maioridade penal para 16 anos, 14 em caso de crimes hediondos, e o recurso às Forças Armadas para "declarar guerra ao narcotráfico".
Lula da Silva, em entrevista à Globo, também foi questionado sobre temas de segurança pública.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.