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“Não dá mais? Então monta a tua tenda!” Protestos pela habitação chegam ao Rossio depois de uma semana de contestação no Porto

CNN Portugal ·
“Não dá mais? Então monta a tua tenda!” Protestos pela habitação chegam ao Rossio depois de uma semana de contestação no Porto

“Não dá mais? Então monta a tua tenda!” Foi com este apelo que arrancou, pouco depois das 17h00 deste sábado, a acampada pela habitação no Rossio, em Lisboa. Os manifestantes montaram tendas junto à estátua de D. Pedro IV e espalharam pela praça cartazes contra o Governo e os preços das casas.

Ouviu-se “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso, e palavras de ordem como “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”, “Na rua nos querem, na rua nos verão” e “A rua é nossa”.

Vários cartazes faziam referência às declarações de Luís Montenegro, que esta semana pediu aos movimentos associativos e aos partidos políticos que não fossem “egoístas” na sua atuação.

A acampada começou depois da manifestação da CGTP contra o aumento do custo de vida, que percorreu a capital desde o Cais do Sodré até ao Rossio. A central sindical exigiu aumentos salariais, melhores pensões e mais investimento nos serviços públicos.

O protesto foi convocado também em solidariedade com os manifestantes do Porto, que no sábado passado começaram a acampar na Praça D. João I para exigir habitação a preços acessíveis.

Na madrugada de quinta-feira, a PSP interveio para retirar as tendas. Os organizadores denunciaram 39 feridos, dois deles graves, durante a operação. A polícia confirmou que um agente também ficou ferido e afirmou que os manifestantes ofereceram resistência.

A PSP enviou ao Ministério Público imagens das câmaras de videovigilância e a Inspeção-Geral da Administração Interna abriu um processo para averiguar o que aconteceu.

O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, já tinha avisado que a autarquia seria “absolutamente implacável” com a instalação de tendas naquela praça. “A Praça D. João I não é um parque de campismo, e não vai transformar-se num parque de campismo”, declarou.

Na noite de quinta-feira, milhares de pessoas regressaram à Praça D. João I para protestar contra a intervenção policial. Os manifestantes chegaram a votar a permanência no local, mas acabaram por abandonar a praça durante a madrugada de sexta-feira. A organização denunciou a presença de elementos de extrema-direita que estariam a tentar provocar incidentes.

Este sábado, participantes na acampada juntaram-se à manifestação da CGTP no Porto, onde foram recebidos com palmas.

“Esta última semana foi uma vitória e foi o despertar de um povo. Nós, numa semana, conseguimos mobilizar todas estas pessoas, conseguimos que outras cidades se mobilizassem para se juntar a nós”, afirmou Cristiana Leal, porta-voz do movimento.

A ativista garantiu que os protestos vão continuar. “Este movimento começou e não vai parar, porque as condições de vida são as que são, ainda não mudaram e enquanto elas não mudarem o movimento não para.” “Isto não é uma luta só do Porto, isto é uma luta do país inteiro”, acrescentou.

Em Coimbra e no Funchal realizaram-se também manifestações contra a subida do custo de vida, enquanto em Faro foi convocada uma concentração de solidariedade com os manifestantes do Porto.

No Porto, estava marcada para as 19h00 deste sábado uma nova assembleia popular na Praça D. João I, para decidir os próximos passos do movimento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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