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Receitas globais das fintechs ultrapassaram os 504 mil milhões de dólares

Jornal Económico ·
Receitas globais das fintechs ultrapassaram os 504 mil milhões de dólares

Em 2025, as receitas globais das fintechs ultrapassaram os 504 mil milhões de dólares, um crescimento de 22% face ao ano anterior e um ritmo de expansão mais de quatro vezes superior ao registado pelas instituições financeiras tradicionais.

Os dados constam do estudo Global Fintech Report 2026: From Recovery to Resurgence , desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a FT Partners, que analisa o atual momento do setor e identifica as principais tendências que deverão marcar a próxima fase de desenvolvimento das fintechs.

Atualmente, as fintechs representam cerca de 4% das receitas globais dos serviços financeiros, consolidando a passagem de um segmento emergente para um setor com escala própria e ainda com margem significativa para crescer.

A maturidade do setor é também visível nos indicadores de rentabilidade. Segundo o relatório, 74% das maiores fintechs cotadas já são rentáveis, contra 68% no ano anterior, enquanto a margem média de EBITDA aumentou de 16% para 20%. Em paralelo, o financiamento através de capital próprio cresceu 53%, para 58 mil milhões de dólares, refletindo o regresso do investimento a empresas com modelos de negócio mais sólidos, maior disciplina operacional e perspetivas sustentadas de crescimento.

Além disso, os mercados de saída também voltaram a ganhar dinamismo. O número de ofertas públicas iniciais (IPOs) no setor fintech aumentou 50% em 2025, para 42 operações.

A atividade de fusões e aquisições registou uma evolução ainda mais expressiva: o volume global passou de 105 mil milhões de dólares em 2023 para 184 mil milhões em 2024 e atingiu 251 mil milhões de dólares em 2025.

Para a BCG, esta evolução confirma a entrada das fintechs numa fase de maior maturidade, seletividade e relevância estratégica para a transformação dos serviços financeiros.

“O setor fintech deixou de ser uma promessa de disrupção para se tornar um pilar estrutural do sistema financeiro, registando um crescimento quatro vezes superior ao dos incumbentes”, afirma Pedro Pereira, Managing Director & Senior Partner da BCG Lisboa.

“A pergunta já não é se a tecnologia vai mudar a banca e os seguros, mas sim que instituições terão a disciplina de execução para capturar esse valor antes dos seus concorrentes”, acrescenta.

Segundo o responsável, o setor está a passar “de uma década de recuperação para uma nova era de resiliência estrutural”. A IA agêntica, os ativos tokenizados e a convergência regulatória entre bancos e fintechs são, na sua perspetiva, “peças de um novo modelo de negócio financeiro que se está a construir agora”.

“Quem só observar de fora este próximo ciclo arrisca-se a competir amanhã em desvantagem permanente”, alerta Pedro Pereira, defendendo que a vantagem competitiva pertencerá às empresas capazes de executar “com mais rapidez e disciplina financeira”, e não necessariamente às que possuem a marca mais sólida ou o balanço mais robusto.

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