“Não vamos repetir os erros de 2009”: Governo invoca fantasma da troika para rejeitar baixa do IVA
O Governo e os partidos que o apoiam (PSD e CDS-PP) recusam a descida do IVA dos combustíveis e o IVA zero no cabaz alimentar defendidos por Chega e PS .
Maria da Graça Carvalho fala em “responsabilidade orçamental” , CDS alerta que “o país não vai voltar a entrar em bancarrota” e PSD pergunta a Carneiro se quer ser “o novo Sócrates”.
O Governo transformou a responsabilidade orçamental e a memória da crise financeira que levou Portugal a pedir ajuda internacional em 2011 num dos principais argumentos para rejeitar as propostas do Chega e do PS para baixar o IVA dos combustíveis e aplicar IVA zero a um cabaz de bens essenciais.
Oposição quer baixar IVA e ISP para travar preços Ler Mais No debate de urgência sobre o custo de vida, que se realizou esta sexta-feira, no Parlamento a pedido do PS, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, justificou a opção do Executivo por apoios dirigidos às famílias, como a redução do IRS até ao sexto escalão e o novo bónus aos pensionistas, em vez de reduções generalizadas da tributação .
“Optámos por ajudar quem mais precisa”, afirmou a governante, considerando que “o IVA zero sobre o cabaz alimentar e a redução do IVA sobre os combustíveis seriam medidas injustas”.
A ministra garantiu que o Governo é “coerente com os seus princípios” e que dá “prioridade às pessoas”, mas “respeitando a responsabilidade orçamental”.
Foi nesse contexto que recuperou o período que antecedeu a crise financeira.
“Não vamos repetir os erros de 2009” , afirmou Maria da Graça Carvalho, numa referência explícita ao período em que José Sócrates era primeiro-ministro.
A crise financeira portuguesa viria a culminar no pedido de assistência financeira em abril de 2011.
O programa de ajustamento, acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que ficou conhecido como Troika, envolveu um pacote de financiamento de 78 mil milhões de euros e medidas de consolidação orçamental.
A ameaça de repetir a história da bancarrota foi levada ainda mais longe pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.
Depois de reconhecer que “o que os portugueses hoje pagam quando têm de abastecer os seus carros é demasiado” , o social-democrata defendeu que o atual Governo já está a reduzir a fatura através do ISP.
Segundo Soares, “hoje, por litro, se não fosse a decisão do Governo, os combustíveis estavam mais caros 23 cêntimos”.
Inflação e combustíveis.
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