A mão que impõe a rolha no debate do custo de vida
Por que não quer, a maioria dos partidos e deputados, discutir o que ao povo mais diz respeito, nem decidir o que melhor pode servir os seus interesses? A pergunta vem a propósito das recusas em debater o aumento do custo de vida no Parlamento Europeu.
Mas o problema não é só o da falta do debate político, é sobretudo o da falta de uma política que trave o aumento do custo de vida.
Só na sessão plenária de Setembro o PCP fez a proposta por duas vezes.
Primeiro, ainda antes de estar fixada a agenda da sessão plenária.
A proposta apresentada visava a inscrição de um debate sobre o aumento dos preços da energia e dos combustíveis e os seus impactos no aumento geral dos preços que encarecem o custo de vida.
Apesar de reconhecida a atualidade e importância do tema, não houve maioria entre os grupos políticos para que a proposta fosse por diante.
Depois, já no arranque da sessão plenária, propôs-se um debate sobre a decisão tomada pelo Banco Central Europeu de aumentar as taxas de juro.
A proposta era a de que o Parlamento Europeu não ficasse à margem desta discussão, sobretudo considerando que se trata de uma decisão grave, com impactos diretos no aumento dos custos com a habitação e do financiamento das pequenas e médias empresas, tudo contribuindo também para agravar o aumento do custo de vida.
Mais uma vez a proposta do debate foi recusada, com o registo da maioria dos deputados portugueses ter votado contra ou se ter abstido.
A falta de apoio à realização do debate não acontece por inércia, inação ou desvalorização da temática em causa.
É pior que isso.
É que fazer este debate implica discutir as medidas que têm de ser adotadas para travar o aumento do custo de vida e é disso que a maioria do Parlamento Europeu não quer tratar.
Para dar resposta às causas reais do actual quadro inflaccionário e travar o aumento do custo de vida é preciso por fim à agressão dos EUA ao Irão e à desestabilização do Médio Oriente.
É preciso adoptar medidas de regulação dos preços.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.