Carney responde a Trump: "Ninguém nos vai dizer" com quem fazer acordos
"N inguém nos vai dizer em que língua temos de falar nem com quem podemos assinar acordos internacionais", afirmou Mark Carney, durante uma conferência de imprensa conjunta com a presidente do Parlamento Europeu que se realizou logo após ter proferido um discurso aos eurodeputados em Estrasburgo, França.
O Presidente norte-americano ameaçou cortar as relações comerciais com a União Europeia caso o Canadá se torne membro associado do bloco, como propôs na quarta-feira a presidente da Comissão Europeia.
"Acho ridículo", reagiu Trump, acrescentando que pode considerar a medida como um ato hostil.
"Se o fizerem, se eu considerar um ato hostil, imporei tarifas demasiado elevadas ou interromperei todo o comércio com a Europa", ameaçou.
Mark Carney sublinhou que o país tem o direito soberano de alargar a sua rede comercial e garantiu que a parceria com a UE não constitui um ataque contra ninguém, mas sim um meio de duplicar o acesso do Canadá a mercados globais e passar a atingir três mil milhões de consumidores.
O primeiro-ministro canadiano referiu ainda que continua disponível para negociar acordos com os EUA, mas sublinhou que qualquer negociação tem de ser feita com base no respeito mútuo pela soberania e pelas instituições de cada país.
O porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, Olof Gill, já tinha assegurado anteriormente que a nova parceria "não é dirigida contra ninguém".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na quarta-feira que o Canadá se torne o primeiro país "membro associado" da UE, no seu discurso sobre o Estado da União perante os eurodeputados.
A presidente da Comissão Europeia propôs ainda que o Canadá venha a integrar um futuro Conselho Europeu de Segurança.
O aprofundamento da relação entre Otava e Bruxelas acontece no meio de uma guerra comercial com os EUA que impôs novas taxas aduaneiras à maioria das exportações da UE e ameaçou tornar o Canadá no 51.º estado dos Estados Unidos.
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