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A extrema-direita não chega ao poder de repente

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Há uma frase particularmente cómoda e verdadeira que as democracias europeias repetem sempre que a extrema-direita cresce: “É preciso ouvir os eleitores.” Não obstante, talvez também fosse importante fazer outra pergunta: por que é que esses eleitores passaram tantos anos a ouvir a extrema-direita sem que lhes fosse apresentada uma alternativa credível? O resultado da Saxónia-Anhalt devia obrigar a Europa a olhar-se ao espelho.

Não porque a Alemanha esteja condenada a repetir o passado – a História não funciona assim –, mas há mecanismos políticos que já conhecemos e que convém reconhecer quando voltam a aparecer.

E, aqui, é preciso evitar dois erros muito comuns.

O primeiro é dizer que todos os eleitores da extrema-direita são fascistas.

Não são.

O segundo é achar que, por não serem, a extrema-direita deixa de representar um perigo.

Também não é verdade.

As pessoas votam nestes partidos pelas mais variadas razões.

Há quem o faça por desespero económico, quem esteja farto dos governos, quem tenha medo de perder o emprego ou de não conseguir pagar a casa.

Há quem vote por hostilidade à imigração e há também quem queira simplesmente dar um pontapé no sistema e castigar os partidos que governaram durante décadas.

Podemos discutir cada uma dessas motivações.

Mas o problema político fundamental é outro: o que fazem estes partidos quando chegam ao poder? Os direitos raramente desaparecem todos na noite das eleições.

Vão desaparecendo aos poucos.

Primeiro em nome da segurança, depois da ordem, da família, da pátria ou de uma qualquer urgência nacional.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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