Os drones “atacaram”as compras online russas e estão a mudar o negócio dos marketplaces
Os ataques com drones às infraestruturas logísticas dos grandes operadores de comércio eletrónico da Rússia estão a provocar uma mudança no funcionamento do setor.
Perante os danos em centros de distribuição, cada vez mais vendedores estão a retirar os produtos dos armazéns das plataformas e a assumir diretamente o armazenamento e a expedição das encomendas.
Na Wildberries, uma das maiores plataformas de comércio eletrónico russas, 97,4% dos vendedores já utilizavam, no final de agosto, os seus próprios armazéns, contra 55,1% em junho.
Na Ozon, outra das principais plataformas do país, a percentagem passou de 63,3% para 73,1% no mesmo período, segundo dados do banco Tochka, citados pelo jornal russo Kommersant .
A mudança significa, na prática, que o vendedor deixa de enviar antecipadamente a mercadoria para um grande armazém do marketplace.
Mantém os produtos nas suas próprias instalações e, quando recebe uma encomenda, trata da preparação e do envio.
A dimensão destas empresas ajuda a perceber o impacto de uma alteração que, à primeira vista, poderia parecer apenas logística.
A Wildberries processa mais de sete milhões de encomendas por dia e tem mais de 110 milhões de utilizadores, segundo dados citados pelo El País .
A Ozon, por seu lado, tinha no início de 2026 mais de 63 milhões de compradores e mais de 75 mil pontos de recolha, segundo dados divulgados pelo Vedomosti .
As duas plataformas têm, assim, uma presença que vai muito além das compras pela internet.
Segundo dados citados pelo El País , Wildberries, Ozon e Yandex Market representaram, em conjunto, mais de 5% do PIB russo em 2025, com vendas superiores a 11 biliões de rublos (cerca de 110 mil milhões de euros).
A mudança ganhou força depois dos ataques com drones que atingiram centros logísticos de Wildberries e Ozon.
O Kommersant nota que a maioria dos vendedores não abandonou totalmente os armazéns das plataformas: muitos passaram a combinar os dois modelos, escolhendo onde guardar os produtos de acordo com a categoria, a velocidade de venda e a sua própria capacidade logística.
É uma transformação que também pode ter efeitos sobre o próprio mercado imobiliário logístico.
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