Coragem para reformar e foco na maior produtividade
Nuno Botelho considera que o país “mudou para melhor” e “em várias dimensões”, apontando como exemplos o crescimento económico, a redução da dívida pública, o aumento das exportações ou a descida do desemprego, entre outros indicadores, mas deixando uma questão em tom de desafio: “Se melhoramos tanto estes indicadores, porque continuamos sem convergir com a média europeia?”.
A ACP promoveu um estudo, motivado por esta questão, em que se constatou que há um conjunto de problemas que condicionam significativamente a capacidade do país de crescer em várias dimensões.
Os mais citados foram o capital humano, falta de especialização, o funcionamento do Estado, fiscalidade, justiça ou habitação, levando a associação a considerar que há o país entrou num círculo vicioso difícil de quebrar.
“Portugal não tem um problema, tem vários que se alimentam mutuamente”, resumiu.
Como tal, é preciso “coragem para escolher, para reformar, para experimentar e corrigir quando for necessário”, acrescentou.
“Não decidir também é decidir”, alertou, também, lembrando o custo de “adiar uma reforma, manter uma regra ineficiente ou deixar um investimento anos parado à espera de uma licença”.
Para quebrar esta dinâmica, e além da coragem, Botelho sublinhou a importância da produtividade.
“Não estamos perante uma questão académica”, atirou, argumentando que “a produtividade é, a longo prazo, aquilo que permite às empresas pagar melhores salários” e suportar padrões de vida mais altos dos seus trabalhadores.
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