"O objetivo de Putin é testar a Europa"
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Se a Polónia entrasse em guerra contra a Rússia, o país deixaria de existir em dois ou três dias. Esta frase é de um conselheiro de Vladimir Putin, Nikolai Patrushev, e é uma das frases que está a marcar o dia de hoje e que vamos analisar nesta edição do Gabinete de Guerra, hoje com os comentários de António José Telmo, antigo professor na Academia Militar. Boa tarde, António José Telmo. De facto, esta é uma frase que nos remete muito também para aquilo que foi dito no início da guerra da Ucrânia, com Vladimir Putin a falar de uma guerra de dois ou três dias e que para já ainda se prolonga mais de quatro anos depois. Que leitura faz desta frase um dia depois de a Rússia ter feito esse ataque tão perto da fronteira da Ucrânia com a Polónia?
Boa tarde. É mais um, ou seja, a Rússia tem acumulado uma série de provocações em relação à Europa, quer por provocações verbais, como essa, que aliás é um bocado incompreensível, porque se está a falar em dois ou três dias com meios convencionais é um delírio, se está a falar em dois ou três dias com meios não convencionais é excessivo. Mas insere-se dentro de um conjunto de provocações, umas efetivas e reais, outras verbais, como seja, por exemplo, a invasão do espaço aéreo da Lituânia, da Dinamarca, de outros países europeus e como seja as ações em relação à navegação. Portanto, isto, para mim, insere-se por sua vez dentro de um plano evidente da Rússia, que tem duas alternativas: uma alternativa A, chamemos mais benigna, que é influenciar a situação para as negociações, no caso de querer, de facto, entrar em negociações com a Ucrânia, e há várias propostas em cima da mesa, e uma alternativa B, que aponta para uma escalada para eventualmente tentar uma resolução da guerra, não já, porque vem aí o outono e o inverno, mas eventualmente nos primeiros meses do próximo ano. Um dos objetivos claros da Rússia é testar a Europa, que neste momento se afirma como o principal, a não dizer o único apoio significativo da Ucrânia, quer em termos da sua unidade, quer em termos, sobretudo, da sua decisão.
Isso encaixa também um pouco naquilo que foi dito ontem pelo líder da NATO, que isto mostra um ato de desespero da Rússia. Essa ideia de que está também a avançar com este tipo de ataques e este tipo de declarações a preparar-se para uma possível ronda de negociações no início do próximo ano, ou seja, posicionar-se da melhor forma no campo de batalha neste conflito para depois poder ter uma melhor negociação?
Não, atenção, são duas coisas diferentes. As negociações não serão, pelo menos, no princípio do próximo ano. As negociações, que é o cenário mais benigno, eventualmente serão antes. Trump gostaria que houvesse um acordo até novembro, até às eleições, mas as negociações serão antes. O cenário de começos do próximo ano, portanto finais do inverno, começos da primavera ou um pouquinho antes, é um cenário de não negociações, ou seja, é um cenário de tentar militarmente resolver o conflito. Portanto, são cenários diferentes.
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