Arábia Saudita promete ripostar com "firmeza" a ataques dos Huthis
Os Huthis infligiram nos últimos dias importantes reveses às forças governamentais iemenitas e ao seu aliado saudita, reforçando ao fim de uma ofensiva relâmpago o controlo sobre o estreito de Bab el‑Mandeb, passagem estratégica que liga a Europa à Ásia.
Os rebeldes atacaram também infraestruturas petrolíferas da Arábia Saudita, maior exportador mundial de crude, fazendo subir o preço do petróleo acima da barreira simbólica dos 100 dólares (86,67 euros).
Na segunda‑feira, uma ofensiva dos Huthis no oeste do Iémen matou oito soldados das forças governamentais, segundo duas fontes militares.
Os Huthis reivindicaram ainda um ataque "de grande envergadura" com "dezenas de mísseis balísticos e drones" contra a base aérea King Khalid, em Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita.
A coligação militar liderada por Riade confirmou na terça‑feira ataques com mísseis e drones na véspera em Khamis Mushait, Abha e Taif, e reportou 13 civis feridos, tendo retaliado com cerca de 50 bombardeamentos, e afirmando que "enfrentará estes ataques com responsabilidade e firmeza".
Neste contexto tenso, a Arábia Saudita pediu o adiamento de uma reunião com o Irão, prevista para segunda‑feira em Omã com países do Golfo, segundo a diplomacia iraniana.
"Invocar a questão iemenita como razão [para o adiamento] é um falso pretexto", considerou o porta‑voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghai, em conferência de imprensa em Teerão.
"O Irão não intervém nos assuntos iemenitas", garantiu, afirmando que os Huthis são "atores totalmente independentes que tomam decisões em função dos seus próprios interesses".
O encontro deveria abordar o futuro do estreito de Ormuz, outro ponto de passagem crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos, que o Irão mantém bloqueado há meses.
A Arábia Saudita encontra‑se sob pressão devido aos ataques dos Huthis e aos riscos para os petroleiros sauditas nos dois estreitos principais da região.
O oleoduto Este‑Oeste, via crucial de exportação de crude para contornar o bloqueio de Ormuz, está igualmente parado após ataques de drones vindos do Iraque, segundo Riade.
A guerra com o Irão reduziu a produção saudita para cerca de seis milhões de barris por dia em agosto, contra quase 10 milhões no ano anterior, segundo a Agência Internacional de Energia. O encerramento prolongado do oleoduto ameaça agravar os custos e atrasos nas entregas, exigindo uma "reorganização global dos fluxos de crude", alerta a consultora Rystad Energy.
Desde 2014, os Huthis controlam o norte do país, incluindo a capital, Sanaa, enquanto o governo reconhecido internacionalmente mantém o sul e o porto de Aden.
Após anos de acalmia, o Iémen foi arrastado em julho para o conflito regional desencadeado pela ofensiva americano‑israelita contra o Irão no final de fevereiro.
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