Putin recebe líder de Myanmar em nova tentativa de quebrar isolamento
"Cooperamos ativamente na arena internacional e, sem dúvida, devemos trabalhar no âmbito económico. Existem boas bases e projetos nesse sentido. As relações em matéria de segurança também estão a desenvolver-se" , declarou Putin ao receber Min Aung Hlaing, antigo chefe do exército que liderou o golpe de Estado em Myanmar (antiga Birmânia) em 2021, destituindo o governo civil de Aung San Suu Kyi.
Min Aung Hlaing, que já se deslocara a Moscovo em março e setembro de 2025 -- não tendo nunca Putin visitado Myanmar --, também se congratulou com o nível das relações bilaterais e assegurou que Myanmar é um país "fiável" para a Rússia.
Desde que, em abril, o parlamento dominado pelos militares o nomeou Presidente de Myanmar, na sequência de eleições sem oposição e muito contestadas, Aung Hlaing já efetuou várias deslocações ao exterior -- incluindo à Índia, China, Laos e Tailândia --, com o objetivo de quebrar o isolamento internacional do regime, que tem na Rússia um dos seus poucos parceiros.
Apesar destas visitas, Myanmar tem permanecido, em grande medida, isolado a nível internacional desde que os militares tomaram o poder ao governo eleito da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, em fevereiro de 2021, e reprimiram de forma violenta os protestos, provocando a morte de milhares de civis, o que valeu a imposição de sanções económicas e políticas por parte de países ocidentais.
Por seu lado, a Rússia, que tem reforçado nos últimos anos as relações com países asiáticos com regimes autoritários, caso da Coreia do Norte, é, juntamente com a China, um dos maiores fornecedores de armas do exército birmanês, que utiliza caças russos em ataques a territórios sob o controlo de grupos étnicos minoritários, incluindo muitos aliados às forças de resistência pró-democracia.
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