Centeno, o ‘Passos Coelho’ do PS
As intervenções públicas de Pedro Passos Coelho sobre o estado do país e a atuação do Governo causam um incómodo surpreendente, talvez porque tem a autoridade para dizer o que salta à vista, mas o líder do PS também já tem o seu ‘Passos Coelho’.
Mário Centeno está a construir uma agenda política própria para se afirmar como alternativa a José Luís Carneiro, com uma presença pública continuada e uma distância crítica em relação ao secretário-geral que tornam cada vez mais visível uma ambição que, na verdade, nunca soube esconder.
A hipótese de Centeno chegar a São Bento ganhou expressão pública em 2023, quando António Costa propôs o seu nome para primeiro-ministro, ainda era governador do Banco de Portugal.
Hoje, continua independente, mas tem participação semanal na CNN, escreve no Público, prepara o lançamento de Contas Certas, apresentado por Pacheco Pereira a 25 de setembro, e já deu uma entrevista ao Expresso que aguarda publicação.
O conjunto revela uma intervenção política organizada e persistente, com sinais de ambição mais claros do que aqueles que alimentam as especulações sobre um hipotético regresso de Passos.
Passos tem outro percurso, e não tem nada a provar.
Foi primeiro-ministro num contexto muito difícil, venceu duas eleições legislativas, mas perdeu o Governo em 2015 por uma inusitada geringonça.
Mais tarde, decidiu deixar a liderança do PSD, anunciando em 2017 que não se recandidataria, depois da derrota nas autárquicas.
A decisão de sair pelo seu pé não o obriga a renunciar à intervenção pública, nem a possibilidade de querer regressar desqualifica as suas críticas.
O que diz merece ser discutido pelo seu conteúdo, incluindo quando incomoda quem governa.
E o próprio afirmou em entrevista exclusiva ao ECO que deixaria claro se quisesse regressar.
Passos já foi tudo o que quis, Centeno ainda não foi (quase) nada, um ex-ministro e um ex-governador que quer muito mais.
Centeno tem todo o direito a construir uma alternativa, a defender o seu legado e a disputar o futuro do PS.
Esse direito é exatamente o mesmo que assiste a Passos para questionar a ambição reformista do Governo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.