A moção de censura vai deitar abaixo Luís Neves?
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Sim, acabou-se o soft opening das rentrées. Agora é sério. Se a moção for apresentada na terça-feira, como diz André Ventura, lá pro final da semana, julgo que na própria semana, acho que dá pra ser na própria semana, temos um farrapo no Parlamento que não vai servir pra rigorosamente nada, não vai ter efeito nenhum, mas mais uma vez faz aquilo que o Chega costuma fazer, que é marcar a agenda midiática e marcar uma posição. E garantidamente, Luís Montenegro, depois de ter ouvido isso, deve estar com vontade que chegue o dia 1 sem demitir Luís Neves. Agora tem um prazo, que é muito mais divertido pra Luís Montenegro, que já não estava convencido que ia demitir Luís Neves, então agora é que não vai mesmo demiti-lo até dia 1 de setembro, nem durante a época de fogos, garantidamente. A notícia do Nascer do Sol diz que o presidente da República deu então um prazo a Montenegro para resolver.
Porque a questão é se resolver o caso é dizer: o ministro não pode estar constantemente sob suspeita e, portanto, vamos lá encontrar todas as justificações e mais algumas pra isto. Ou então, nestas condições, em que continua sob suspeita, com uma série de pontas soltas. É só pontas soltas ali. Continuar assim é insustentável. Eu acredito que António José Seguro lhe tenha dado, de fato, tempo, atendendo à circunstância de estarmos em plena época de fogos, mas não tenho a certeza absoluta que Luís Montenegro esteja com muita vontade de substituir Luís Neves. E depois aqui põe-se um caso um pouco bicudo entre António José Seguro e Luís Montenegro. E eu acho que António José Seguro já foi bastante vocal pra aquilo que é o seu perfil sobre o fato das instituições estarem, já não sei qual foi a expressão.
Mas ele disse: "O que eu espero é que cada um assuma a sua responsabilidade."
A sua responsabilidade. Mas falou das instituições não poderem estar em risco.
Não sei bem se foi isso. Desculpa interromper, Judite. Ou seja, pra nos lembrarmos, o que ele disse foi: "Eu já falei sobre isto, não quero estar sempre a falar, eu falo quando acho que devo, com quem devo, onde devo. Vamos deixar as investigações e as auditorias apresentarem resultados, mas eu acho que as instituições estão cada uma no seu lugar e têm que se respeitar." Foi algo deste gênero. O que eu entendi foi muito mais: não é o presidente que demite o ministro.
Pronto, e depois disse isso: "Eu espero é que cada um cumpra o seu papel constitucional de garante do regular funcionamento das instituições." Teve aqui um regular funcionamento das instituições, tinha a certeza. E, portanto, eu acho que ele foi bem claro nessas declarações, mas objetivamente, o que pode fazer António José Seguro? Não pode fazer nada. António José Seguro pode despentear Luís Montenegro e abrir-se um conflito, mas não pode fazer muito mais do que isso. E, portanto, Luís Montenegro está com um caso bicudo entre mãos pra resolver, mas mesmo que seja pra demitir, pra destituir, para deixar ir embora Luís Neves, vai esbracejar até o fim.
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