ONU assinala seis meses de guerra entre EUA e Irão e pede diálogo
"R eiteramos que a única solução para tal é uma solução diplomática. E instamos tanto os Estados Unidos como a República Islâmica do Irão a envolverem-se em negociações significativas", apelou hoje o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, na sua conferência de imprensa diária em Nova Iorque.
O porta-voz aproveitou para elogiar os esforços diplomáticos do Qatar, Paquistão, Egito, Arábia Saudita e Kuwait, entre outros, em prol da resolução deste conflito e observou que Guterres "manteve contacto constante com todos eles".
"O que é claro e continua a preocupar o secretário-geral são as consequências humanitárias e económicas devastadoras deste conflito, principalmente para os civis da região que, em diferentes momentos, foram bombardeados e tiveram as suas infraestruturas civis destruídas", acrescentou Dujarric.
O porta-voz referiu ainda o impacto económico global desta guerra no abastecimento alimentar, especialmente devido ao encerramento do estreito de Ormuz.
O bloqueio iraniano desta via marítima crucial, por onde passava cerca de 20% do petróleo e do gás consumido em todo o mundo, elevou o preço dos combustíveis e fertilizantes.
Nesse sentido, Guterres pediu esta semana "cooperação e vontade política" para tentar ativar um mecanismo liderado pelas Nações Unidas que facilitaria o comércio de fertilizantes pelo estreito de Ormuz.
O mecanismo já tinha sido anunciado em março, mas nunca entrou em vigor.
"As Nações Unidas atuariam como facilitadoras neutras. O objetivo é simples: reduzir os riscos imediatos, apoiar um trânsito mais ordenado e previsível e ajudar a reconstruir a confiança necessária para a diplomacia e a desescalada. Pode ser operacionalizado rapidamente", disse Guterres aos jornalistas na segunda-feira, em Nova Iorque.
Já hoje, Dujarric recordou que o enviado pessoal de Guterres para este conflito, Jean Arnault, continua disponível e em contacto para auxiliar as partes e os mediadores a chegarem a uma solução duradoura.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irão completa hoje seis meses sem que Washington tenha conseguido eliminar o programa nuclear iraniano ou provocar uma mudança de regime em Teerão.
O conflito deixa para já como rasto, entre outros aspetos, uma crise energética mundial, repercussões à escala global no custo de vida, um Médio Oriente ainda mais instável e um dilema político com relevância eleitoral para o Presidente Donald Trump, que disputa o controlo do Congresso norte-americano nas eleições intercalares de novembro.
A "Operação Fúria Épica" começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea de grande escala contra instalações militares, nucleares e dirigentes iranianos, causando, entre outras mortes, a do líder supremo, Ali Khamenei.
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