A intifada em França
Os noticiários dizem que os estudantes franceses saíram à rua para exigir mais despesa em educação. Mas estes estudantes, que querem mais meios para o ensino, incendeiam as escolas. Queixam-se da falta de professores, mas agridem e regam com gasolina aqueles que apanham. São franceses, mas marcham sob as bandeiras da Palestina e da Argélia. Nos seus ajuntamentos, escutam e aplaudem os deputados e vereadores da extrema-esquerda. Entretanto, já atacaram esquadras e feriram mais de 700 polícias.
Não estou a dizer que não haja problemas na educação em França. Deve haver, porque sempre houve, apesar de a despesa com o ensino público ser a mais elevada de todos os tempos. Também não estou a dizer que não haja gente na rua inspirada apenas por essa causa. Deve haver, tal como deve haver simples curiosos. Mas como os serviços de informação já concluíram, o motor da campanha de violência é o partido da extrema-esquerda La France Insoumise, de Jean-Luc Mélenchon. Podemos perguntar onde quer chegar Mélenchon. Mas antes, convém perceber onde já chegou.
A extrema-esquerda no Ocidente assenta agora numa parceria entre activistas estudantis intoxicados pelo professorado esquerdista, e fundamentalistas islâmicos. O islamismo radical aproveitou a incapacidade de integração do Ocidente, tolhido pela auto-abjecção wokista, para transformar os migrantes muçulmanos num bloco de votos de cabresto à antiga. Por enquanto, os jihadistas preferem usar a extrema-esquerda como barriga de aluguer política. Eis como Die Linke na Alemanha, o Green Party na Inglaterra, ou La France Insoumise elegem deputados e vereadores. Foi para consolidar essa aliança que a extrema-esquerda fez de Gaza a sua grande causa, e do anti-semitismo a sua filosofia.
Se é esse o plano, não é mal pensado. A associação com o radicalismo islâmico, em regiões de grande migração muçulmana, deu à extrema-esquerda uma força como nunca teve desde os anos 1970. Podia servir-lhe só para eleger presidentes de câmara, como em Berlim ou Nova Iorque. Mas para estes revolucionários, a violência foi sempre a maneira mais coerente de fazer política, e a Mélenchon, talvez a insurreição pareça a melhor jogada. A questão é saber se a restante esquerda e as elites bem-pensantes em geral se deixarão liderar por gente como Mélenchon a pretexto do “antifascismo”. Há anos que à oligarquia europeia só interessa ver perigos à direita, entre aqueles que contestam as suas políticas de estagnação económica, caos migratório e desmantelamento da cultura nacional. Por isso, nem deu pela emergência desta extrema-esquerda com motor jihadista. Vai perceber agora? E, percebendo, vai resistir?
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.