Morreu Gracindo Júnior, o cavalheiro discreto do pequeno ecrã brasileiro
O ator e realizador brasileiro Gracindo Júnior morreu na noite de terça-feira, aos 83 anos, na sua residência em São Conrado, no Rio de Janeiro, de causas naturais.
A confirmação oficial foi transmitida na manhã desta quarta-feira (2 de setembro) pelo filho, o músico Pedro Gracindo, ao portal brasileiro G1 , horas após o ator Leonardo Brício ter anunciado em primeira mão nas redes sociais que acompanhara os últimos instantes de vida do veterano artista ao lado da família.
"Ele partiu sereno, cercado por quem o amava", relatou Leonardo Brício numa publicação emotiva no Instagram, amplamente citada pelos portais UOL e Notícias da TV .
Os dois intérpretes haviam criado uma ligação quase filial desde que contracenaram como pai e filho na telenovela Cidadão Brasileiro (2006).
As cerimónias fúnebres decorrem na quinta-feira, 3 de setembro, na capela do Cemitério e Crematório da Penitência, na zona portuária do Caju, onde o corpo será cremado.
Nascido Epaminondas Gracindo Júnior a 21 de maio de 1943, no Rio de Janeiro, trazia na certidão de nascimento o peso de um dos maiores vultos da representação brasileira: o pai, Paulo Gracindo (1911–1995), o eterno Odorico Paraguaçu.
Contudo, desde muito cedo recusou a condição de mero herdeiro dinástico.
Estreou-se no teatro amador antes de cumprir 20 anos e, em 1965, integrou o elenco pioneiro que inaugurou as emissões regulares da TV Globo.
Esteve nas primeiras telenovelas diárias da estação da família Marinho, como Rosinha do Sobrado e A Moreninha , quando o formato ainda se debatia com o direto e a precariedade técnica.
O momento de viragem e consagração deu-se na década de 1970.
Em 1973 participou em O Bem-Amado , de Dias Gomes, mas foi em 1976 que protagonizou um dos exercícios mais poéticos da história da televisão de língua portuguesa: em O Casarão , de Lauro César Muniz, interpretou o impetuoso João Maciel na juventude, enquanto o seu pai, Paulo Gracindo, dava corpo à mesma personagem na velhice.
A transição de planos e a cumplicidade entre ambos transformaram a narrativa num marco indiscutível de representação intergeracional.
Com uma presença de porte aristocrático e uma dicção pausada, Gracindo Júnior tornou-se uma figura familiar para o público português a partir da viragem para a década de 1980 e 1990.
Integrou o elenco de sucessos estrondosos exportados para a RTP e para a SIC, como Rainha da Sucata (1990), no papel de Saldanha, e Deus Nos Acuda (1992).
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