Costa faz ronda pelas capitais da UE para abordar orçamento e migrações
N esta que é a terceira vez que faz uma ‘tour’ pelas capitais da União Europeia (UE) – após iniciativas semelhantes em 2024 e em 2025 –, António Costa vai passar por todos os Estados-membros até 17 de setembro, com exceção da Suécia, que terá eleições na primeira metade do próximo mês.
Num comunicado hoje divulgado, o Conselho salientou que a ideia é “recolher as opiniões dos chefes de Estado ou de Governo, com especial enfoque no próximo orçamento de longo prazo da UE”, sendo que “tal como aconteceu no ano passado, estas conversações ajudarão a preparar o terreno para os próximos Conselhos Europeus e cimeiras internacionais”.
A ronda começa na terça-feira, com António Costa a deslocar-se a Bratislava, onde irá reunir-se com o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico. Segue depois para Tallinn, para um encontro com o primeiro-ministro estónio, Kristen Michal.
Na quarta-feira, o presidente do Conselho Europeu estará em Vilnius, para uma reunião com o Presidente lituano, Gitanas Nausėda, e em Riga, onde irá encontrar-se com o primeiro-ministro da Letónia, Andris Kullbergs.
A primeira semana da ronda termina na quinta-feira, em Praga, com um encontro com o primeiro-ministro checo, Andrej Babiš.
A iniciativa tornou-se uma tradição anual desde que António Costa começou a liderar o Conselho Europeu e visa captar “uma imagem de 360 graus” do que se passa na UE, classificou hoje um alto funcionário europeu, em declarações à imprensa europeia.
De acordo com a mesma fonte, António Costa estará sobretudo em “modo de escuta” sobre temas como defesa e segurança, a guerra na Ucrânia, o alargamento da UE, competitividade, migração e os principais acontecimentos internacionais, incluindo a situação no Médio Oriente.
O que diferencia a edição deste ano é a preparação das negociações sobre o próximo orçamento da UE a longo prazo para 2028-2034, que marcarão a segunda metade deste ano.
O objetivo definido pelo Conselho Europeu é alcançar um acordo político até final de 2026, sendo que tal preparação deverá ser feita na cimeira europeia de outubro e, caso seja necessário, num encontro extraordinário a realizar no final de novembro.
“É um acordo que precisamos de concluir até ao final do ano”, sublinhou o alto funcionário europeu, admitindo porém existir um “fosso entre posições nacionais muito assertivas e defensivas,” dado que alguns países querem cortes, outros mais verbas, outros Estados-membros pedem novas prioridades e ainda outros defendem um foco nos objetivos tradicionais de coesão e agricultura.
Em julho de 2025, a Comissão Europeia propôs um orçamento da UE para 2028-2034 de 2 biliões de euros, dos quais 33,5 mil milhões caberiam a Portugal.
Por seu lado, a presidência cipriota do Conselho da UE, que terminou em junho, propôs em meados deste ano um orçamento na ordem dos 1,94 biliões de euros, elevando contudo a verba portuguesa para cerca de 35 mil milhões.
Já o Parlamento Europeu defende um orçamento de 2,014 biliões de euros.
As negociações prosseguem e para outubro prevê-se uma proposta revista da atual presidência irlandesa do Conselho da UE, incluindo novos recursos próprios do bloco comunitário.
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