Vitória dos extremos pressiona Merz à medida que soam os alarmes na economia
Depois do maior triunfo eleitoral da história do partido de extrema-direita há apenas duas semanas na Saxónia-Anhalt, a Alternativa para a Alemanha (AfD) voltou a ganhar uma eleição estadual, desta vez em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
Em Berlim, o Die Linke (A Esquerda) também teve uma vitória inédita.
Os resultados, com vencedores de extremos opostos do espectro político, evidenciam um panorama político cada vez mais fragmentado na maior economia da Europa, em crise, e aumentam a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz, da União Democrata-Cristã (CDU).
A popularidade do primeiro-ministro alemão tem vindo a cair de forma acentuada desde que chegou ao cargo há apenas 16 meses, e o espaço de manobra está a encurtar-se.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU obteve o resultado mais baixo de sempre desde a Segunda Guerra Mundial em qualquer estado, arriscando mesmo ficar fora do Parlamento regional se não alcançar pelo menos 5% dos votos , enquanto em Berlim surge em segundo lugar com 20%, devendo ficar fora da coligação governamental.
Bundesbank preocupado com avanço da AfD na Alemanha Ler Mais Os alarmes soam, igualmente, do lado económico.
Embora a subida homóloga dos preços se tenha fixado nos 2,9% em agosto, abaixo da média da Zona Euro, e o PIB tenha crescido 0,3% no segundo trimestre, graças a um impulso das exportações, o Bundesbank alertou esta segunda-feira que a inflação deverá continuar elevada e que a economia deverá perder dinamismo no terceiro trimestre — apesar de admitir uma recuperação mais perto do final do ano.
Além disso, o próprio presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, manifestou-se preocupado com o avanço da extrema-direita , por considerar que não contribuirá para atrair investimento para o país.
Um dos sinais mais visíveis da fragilidade da economia alemã, que está a tornar-se um fator decisivo nas urnas, é o que se passa na Volkswagen .
A maior fabricante automóvel da Europa aprovou recentemente a maior reestruturação da sua história, com o corte de mais de 50 mil postos de trabalho , o que eleva para cerca de 100 mil o número de empregos a eliminar no âmbito do processo iniciado em 2024.
O futuro de quatro fábricas do grupo no país — Emden, Zwickau, Hannover e Nerckarsulm — também está em causa, perante um excesso de capacidade produtiva e a perda de competitividade face aos fabricantes chineses.
Lucros da Volkswagen travam 31% na primeira metade do ano Ler Mais A crise da Volkswagen é, em parte, um reflexo dos problemas estruturais que afetam o setor automóvel alemão: custos elevados, concorrência asiática, tarifas norte-americanas e a quebra de vendas na China, país que, durante anos, foi uma importante fonte de lucros para as fabricantes da Alemanha.
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