Reforço do Estado na REN até 20% pode servir de contrapeso ao acionista chinês
O Estado comprou 13,7% da REN.
Mas este pode ter sido só um primeiro passo na direção de uma maior presença do Estado no capital da empresa: um despacho assinado pelos ministros das Finanças e do Ambiente e Energia solicitava à Parpública a compra de até 20% da gestora das redes de transporte de eletricidade nacionais .
De acordo com os especialistas em governança e geopolítica consultados pelo ECO/Capital Verde, uma participação maior serve sobretudo para equilibrar forças com aquele que é atualmente o maior acionista, a State Grid — empresa que pertence ao Estado chinês.
É também uma forma de prevenir que outros acionistas consigam uma posição mais dominante, ao mesmo tempo que se assegura, mais de perto, que os objetivos definidos pelo Estado para a empresa são executados.
O despacho do qual consta o mandato para a aquisição de uma fatia de até 20% do capital da REN foi noticiado pelo Observador , após consulta dos documentos remetidos pela Parpública ao Tribunal de Contas, na sequência desta última entidade ter dado luz verde à operação.
“ Com 13,7%, e ainda mais se chegar aos 20%, Portugal cria um contrapeso acionista nacional aos 25% da State Grid, uma empresa pública chinesa com grande peso no eixo de poder da República Popular da China ”, observa Heitor Barras Romana, professor catedrático em Estudos Estratégicos do ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas na Universidade de Lisboa.
Governo mandatou Parpública para comprar até 20% da REN Ler Mais A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhou o interesse estratégico das redes de eletricidade e gás para o país, e indicou que deter uma participação na REN é uma “questão de soberania” , numa altura de agitação geopolítica a nível global, apesar de garantir que, até ao momento, não registou problemas pelo facto de o Estado chinês ter uma participação na REN.
“Temos uma relação de trabalho boa”, disse.
Abertura económica não significa ingenuidade estratégica.
Duarte Pitta Ferraz Sócio da Ivens Governance Advisors No entanto, “ corre tudo bem até ao momento em que não corre ”, contrapõe o professor catedrático.
Na sua visão, as empresas chinesas vão à procura de mais do que dividendos quando entram no capital social de outras entidades.
“Recebem influência política” e a capacidade de influenciar decisões em setores estratégicos.
Ao mesmo tempo, reunem conhecimento e, finalmente, acabam por promover as suas empresas.
Contudo, “não vale a pena diabolizar a China, faz parte da diplomacia económica” , defende.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.