Hospitais privados promovem debate sobre tratamento da obesidade em Portugal
A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) vai promover na quinta-feira, no Hospital da Luz Lisboa, um encontro clínico dedicado ao tratamento da obesidade, doença que afeta 28,7% dos adultos portugueses e representa cerca de 10% dos custos diretos associados à despesa em cuidados de saúde no país.
Em comunicado, a APHP refere que a iniciativa, organizada pelo Conselho Clínico da associação, reunirá profissionais de diferentes especialidades, gestores de unidades de saúde e investigadores para discutir formas de melhorar a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento das pessoas com obesidade.
Segundo o “Roteiro de Ação para acelerar a prevenção e controlo da obesidade em Portugal”, divulgado pela Direção-Geral da Saúde em 2025, mais de metade da população portuguesa apresenta excesso de peso, abrangendo 67,6% dos adultos.
Citado no comunicado, o presidente do Conselho Clínico da APHP, José Roquette, considera que a obesidade é “um dos grandes desafios de saúde pública do nosso tempo”, defendendo que a doença não deve ser encarada apenas como uma questão individual relacionada com hábitos alimentares ou estilos de vida.
“A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial, com consequências muito significativas para a saúde das pessoas, para a organização dos cuidados e para a sustentabilidade do sistema de saúde”, afirma.
A associação destaca também o impacto económico da doença, apontando que a obesidade representa um custo de cerca de 207 euros por habitante por ano e equivale a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), além dos custos indiretos associados à perda de produtividade e à mortalidade prematura.
Para o presidente da direção da APHP, Oscar Gaspar, a discussão sobre os medicamentos inovadores para tratar a obesidade deve enquadrar-se numa abordagem mais ampla da doença.
“A atenção gerada pelos medicamentos inovadores deve servir para discutir a obesidade de forma global, considerando o cidadão, o médico e o sistema de saúde”, sustenta.
O encontro incluirá quatro mesas-redondas dedicadas à obesidade enquanto doença crónica complexa, à gestão em saúde, às estratégias terapêuticas e às prioridades futuras nesta área.
A APHP sublinha ainda que os hospitais privados têm reforçado a capacidade de resposta a esta patologia através de equipas multidisciplinares, tecnologia e percursos assistenciais diferenciados, defendendo que o setor tem um papel relevante na procura de modelos de cuidados que conciliem qualidade, resultados clínicos e sustentabilidade.
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