Beijos na boca aos filhos: não é crime, mas o que ensina às crianças?
Muitos pais beijam os filhos na boca.
E isso não é crime, nem significa, por si só, abuso ou intenção sexual.
Na maioria dos casos, trata-se de uma manifestação de afeto que os próprios adultos associam à proximidade, ao carinho e à intimidade familiar.
Mas o facto de não ser crime não significa que esta situação não mereça uma reflexão cuidada.
Quando pensamos na educação de uma criança, sabemos que esta aprende muito mais com aquilo que observa e experiencia do que através dos discursos que lhe são dirigidos.
E os pais são os seus primeiros modelos relacionais, pelo que cada gesto transmite mensagens sobre o corpo, os afetos, a intimidade e os limites interpessoais.
A questão não é sexualizar um gesto que, na maioria das famílias, não tem qualquer intenção dessa natureza.
A questão é refletir sobre as mensagens que a criança retira desse gesto e sobre a forma como constrói a compreensão dos seus próprios limites corporais e relacionais.
Durante os primeiros anos de vida, as crianças ainda não dispõem da maturidade cognitiva necessária para compreender as nuances que os adultos distinguem com facilidade.
Não percebem que determinados comportamentos podem ser aceitáveis num contexto e inadequados noutro.
Aprendem, sobretudo, pela observação, pela repetição e pela normalização dos comportamentos que observam nas figuras de referência.
Se uma criança é ensinada que receber ou dar beijos na boca faz parte das demonstrações de afeto habituais, poderá ter mais dificuldade em compreender por que é que esse mesmo comportamento não deve acontecer com outras pessoas.
Afinal, quem pode dar estes beijos? Apenas os pais? Os avós? Uma tia muito próxima? Um amigo da família? Um professor? A fronteira pode não ser tão clara para quem ainda está a construir a sua compreensão do mundo.
Da mesma forma, quando procuramos ensinar que o afeto não deve ser imposto e que qualquer demonstração de proximidade física deve respeitar o conforto da criança, importa refletir sobre a coerência entre aquilo que dizemos e aquilo que fazemos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.