FMI considera disciplina orçamental e reformas decisivas para Brasil tornar-se oitava economia mundial
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que a manutenção da estabilidade macroeconómica, o reforço da disciplina orçamental e o avanço de reformas estruturais serão determinantes para sustentar o crescimento da economia brasileira nos próximos anos.
As mais recentes projeções do FMI apontam para que o Brasil recupere a posição de oitava maior economia do mundo em 2027, ultrapassando a Itália e a Rússia em termos de produto interno bruto (PIB) nominal, com a economia brasileira a atingir 2,79 biliões de dólares (2,38 biliões de euros) nesse ano.
As projeções apontam ainda para que a economia brasileira mantenha a oitava posição nos anos seguintes, atingindo 3,39 biliões de dólares (2,89 biliões de euros) em 2031.
Em resposta a perguntas da Lusa, a diretora-adjunta do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Ana Corbacho, destacou que o país tem beneficiado de fatores que ajudaram a amortecer os efeitos da incerteza global.
"A economia brasileira manteve-se bastante resiliente apesar de enfrentar múltiplos choques", afirmou Corbacho durante a apresentação das perspetivas económicas regionais para o Hemisfério Ocidental.
A responsável reconheceu, contudo, que "subsistem riscos importantes", sobretudo associados à incerteza global que continua a afetar as economias emergentes, e defendeu que o Brasil deverá manter o foco na estabilidade macroeconómica para sustentar o crescimento nos próximos anos.
"As economias de mercado precisam de continuar a reforçar os esforços fiscais", afirmou, argumentando que a consolidação orçamental continua a ser uma prioridade para enfrentar um contexto internacional marcado por elevada incerteza.
Apesar da subida prevista no ranking mundial, o Fundo continua a antecipar um abrandamento da economia real do Brasil. O crescimento deverá desacelerar de 2,3% em 2025 para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027, refletindo condições monetárias ainda restritivas destinadas a trazer a inflação de volta à meta.
A inflação deverá recuar gradualmente de 5% em 2025 para 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027, enquanto a taxa de desemprego deverá aumentar de 6% para 6,2% e 6,8%, respetivamente.
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