Naufrágio de Troia: timoneiro, e único sobrevivente, condenado a quatro anos e seis meses de prisão com pena suspensa
O timoneiro do naufrágio de Troia, Manuel Coelho, foi esta sexta-feira condenado a quatro anos e seis meses de prisão, suspensa por cinco anos, pela morte de quatro pessoas no naufrágio ocorrido em abril de 2024.
Na leitura do acórdão, esta sexta-feira, no Tribunal de Setúbal, a juíza presidente afirmou que o arguido teve uma conduta “imprudente e leviana” e que o seu comportamento foi “temerário”, considerando que o arguido cometeu quatro crimes de homicídio por negligência grosseira.
Segundo a decisão, Manuel Coelho ignorou as informações de que dispunha sobre as condições do mar, apesar de saber, desde o início, que não eram favoráveis à navegação. O tribunal considerou que violou elementares deveres de prudência e que, tendo em conta a sua experiência, tinha capacidade para agir de outra forma.
A juíza considerou ainda que o timoneiro escolheu o caminho mais perigoso e que, quando percebeu que teria de voltar para trás, optou novamente por uma manobra de risco. Uma atuação que, segundo o tribunal, colocou em perigo a sua vida e a das restantes pessoas a bordo e provocou a morte de quatro pessoas.
Durante o julgamento, a defesa sustentou que a embarcação foi atingida por um golpe de mar imprevisível e pediu a absolvição do arguido mas a tese não colheu junto do coletivo de juízes do Tribunal de Setúbal.
O Ministério Público tinha pedido uma pena de, pelo menos, cinco anos de prisão.
O naufrágio ocorreu em abril de 2024, ao largo de Troia, e provocou a morte de Ricardo Neves, do filho Francisco de 11 anos, e dos irmãos Gabriel Caeiro e José Caeiro.
Apesar da condenação, Manuel Coelho não terá de cumprir a pena na prisão, uma vez que o coletivo decidiu suspender a execução dos cinco anos de prisão.
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