A inteligência artificial e o direito a ser principiante
Imagine-se uma empresa que substitui várias vagas de entrada por inteligência artificial e mantém o especialista que verifica os resultados.
Poupa salários e conserva a experiência.
A decisão parece impecável.
Falta apenas uma pergunta: onde se formará a pessoa que um dia substituirá esse especialista? Um primeiro emprego faz duas coisas ao mesmo tempo: produz trabalho e forma alguém.
Quando avaliamos a automatização apenas pelo trabalho entregue, a segunda função desaparece da conta.
Podemos estar a celebrar uma poupança sem perceber que estamos a consumir a experiência acumulada por uma geração, deixando de investir na seguinte.
Há sinais que justificam atenção, não sentenças.
Numa atualização divulgada em agosto de 2026 , investigadores de Stanford analisaram registos administrativos de emprego nos Estados Unidos.
Nas profissões mais expostas à IA, o emprego dos jovens entre os 22 e os 25 anos estava cerca de 19% abaixo do nível que teria atingido se tivesse acompanhado a evolução do emprego de jovens da mesma idade nas profissões menos expostas.
Isto não significa que a IA tenha destruído 19% desses empregos: é uma diferença relativa a uma trajetória de comparação, não uma estimativa causal.
O detalhe mais inquietante é outro: o ajustamento observado parece passar sobretudo por menos contratações de jovens, e não por mais despedimentos.
Os autores não encontram uma destruição generalizada do emprego associada à IA.
O risco pode, portanto, começar por uma porta que deixa de se abrir.
Quem nunca chegou a ser contratado não aparece numa notícia sobre despedimentos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.