"No MAI, quem cumpre a lei é punido; quem alimenta a inação é preservado"
O ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI), Ricardo Carrilho, apontou que a sua exoneração se tratou de "um ato de retaliação, e um aviso a todos quantos contribuem, diariamente, para a ação do Estado" , considerando que, "no MAI de Luís Neves, e no Governo atual, quem cumpre a lei e protege o dinheiro público é punido", mas "quem protege o sistema e alimenta a inação é preservado".
"Esta exoneração foi um ato de retaliação, e um aviso a todos quantos contribuem, diariamente, para a ação do Estado: no MAI de Luís Neves, e no Governo atual, quem cumpre a lei e protege o dinheiro público é punido; quem protege o sistema e alimenta a inação é preservado", escreveu, num artigo de opinião publicado no Expresso .
Questionado pelo Notícias ao Minuto , o gabinete do MAI remeteu esclarecimentos para uma altura posterior.
Ricardo Carrilho assinalou ainda que a sua exoneração, "camuflada sob o pretexto burocrático de ‘imprimir uma nova orientação’, face ao Decreto-Lei n.º 43-B/2024, não passou de um embuste", argumentando que "o facto de este afastamento ocorrer no preciso momento em que a Secretaria-Geral da Administração Interna (SGMAI) atingiu resultados ímpares, e sem qualquer paralelo na história do MAI, confere a esta decisão uma gravidade que transcende a [sua] esfera pessoal – é um atentado ao próprio Estado de Direito e à moralização da Governação".
"Ao longo de 20 anos de carreira, enquanto dirigente na Administração Pública, pautei invariavelmente a minha conduta pela mais estrita legalidade, pela integridade pessoal e pela defesa intransigente do interesse público.
Cruzei-me com diferentes governos, servi sob o comando de ministros de quadrantes políticos distintos, geri orçamentos complexos e enfrentei crises institucionais agudas.
Em duas décadas de serviço público de primeira linha, nunca fui alvo de tantas pressões ilegítimas e de uma interferência política tão asfixiante como no período em que exerci as funções de secretário-geral, sob a atual tutela de Luís Neves ", vincou.
Na ótica do antigo responsável, o "rasto de excelência deixado nos últimos 18 meses" entra um paradoxo com a sua destituição, tendo em conta que a sua equipa "impôs uma dinâmica de eficácia macrofinanceira sem precedentes".
"Respeitei rigorosamente a lei, e zelei pelo erário público, colidindo frontalmente com a barreira dos interesses políticos, e dos esquemas de favorecimento instalados à sombra da segurança nacional.
Em julho de 2026, em cumprimento estrito dos deveres do meu cargo, e da reforma de racionalização do Estado, apresentei à tutela uma proposta detalhada de reestruturação orgânica.
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