Quem era "Falling Man"? Mistério mantém-se 25 anos após o 11 de Setembro
A fotografia captada por Richard Drew continua, para muitos, a ser representativa dos atentados de 11 de Setembro, que ocorreram há 25 anos, nos Estados Unidos. É que, tal como o "Falling Man", foram várias as pessoas a fazer uma escolha impossível, saltando das janelas das Torres Gémeas, em Nova Iorque, numa tentativa de escapar ao terror à sua volta. Contudo, e ao fim de um quarto de século, a identidade do homem cujos últimos momentos de vida ficaram eternizados em fotografia, atualmente exposta no Memorial e Museu do 11 de Setembro, permanece um mistério por desvendar.
Richard Drew, que foi um dos quatro profissionais presentes no assassinato de Robert F. Kennedy, em 1968, tirou a fotografia antes do colapso da Torre Sul, às 9h41 (hora local). O fotógrafo da Associated Press (AP) estava em serviço nos desfiles de moda de Nova Iorque, antes de ser contactado pela agência de notícias. Fixou-se na West Street, perto da Torre Norte, e colocou a sua câmara DSLR da Nikon, com uma lente de 80-200 milímetros, em posição. Foi através do aparelho que acompanhou a queda de dezenas de pessoas que saltaram. Uma delas foi um homem de casaco branco, que envergava umas calças e uns sapatos pretos. Alinhado com o edifício, o sujeito parecia até relaxado. Se não estivesse a cair, poderia dizer-se que voava, como descreveu o jornalista Tom Junod, anos depois.
Naquela altura, a publicação da imagem do indivíduo anónimo, suspenso no ar, teve repercussões negativas para a imprensa, que foi acusada de sensacionalizar a tragédia e de desrespeitar as vítimas e as suas famílias. Ainda que tenha ressalvado compreender o debate em torno da fotografia, Drew rejeitou ter explorado a morte do homem.
"Nós registamos a história. Esta foi a história daquele dia. Não fotografei a sua morte. Fotografei parte da sua vida" , defendeu, citado pelo USA Today.
Aliás, Tom Junod, que comprou uma pilha de jornais no dia seguinte ao ataque, decidiu que tinha de escrever sobre a fotografia assim que a viu. A 22 de setembro de 2001, o jornal canadiano Globe and Mail publicou uma reportagem sobre a identidade do homem, que dizia ser Norberto Hernandez, o pasteleiro do restaurante Windows on the World. Junod decidiu, em 2003, investigar.
Ao contactar os familiares de Hernandez, o jornalista da Esquire apurou que nem todos concordavam com aquela tese, defendendo que o pasteleiro nunca escolheria saltar para a morte, uma vez que a sua religião encarava o suicídio como um pecado. Ao analisar as fotografias descartadas por Drew, Junod notou que o homem envergava também uma camisola interior laranja. Hernandez não tinha uma camisola interior daquela cor, de acordo com a esposa. Eventualmente, as pistas conduziram-no até Jonathan Briley, um engenheiro de som no Windows on the World. A descrição batia certo com a da família, mas havia outro detalhe: como o homem de 43 anos tinha asma, o fumo teria sido insuportável.
Nos dias que se seguiram aos atentados, Gwendolyn Briley-Strand juntou-se à família para afixar panfletos com a fotografia do irmão, que adorava chegar cedo ao trabalho para ver o nascer do sol a partir do 106.º andar.
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