Operação Marquês. “Não confio” neste advogado, diz Sócrates
José Sócrates disse esta terça-feira não confiar no advogado oficioso, Luís Carlos Esteves, e critica a juíza encarregue da Operação Marquês pela posição que tomou.
Isto depois da juíza Susana Seca rejeitar o requerimento do antigo primeiro-ministro que visava a “retirada a todos os atos praticados pelo defensor oficioso”.
Portas é que negociou acordo do Grupo Lena, diz Sócrates Ler Mais “O advogado aceitou ficar sem nenhum tipo de preparação da defesa.
Quando começou a advogar não leu sequer o processo.
Não fez as perguntas que deveria fazer.
É preciso um bocadinho de atrevimento para pretender defender quando eu afirmo que não confio nele “, disse Sócrates à entrada do tribunal antes de prestar declarações.
O antigo primeiro-ministro salientou ainda que não se dirige ao oficioso e que ele veio fazer declarações “para o atacar”.
“Ao longo dos tempos a juíza perdeu por completo a oportunidade de fazer aquilo que deve, que é cumprir a constituição e dar um novo advogado o tempo de preparação da defesa” , acrescentou.
Sócrates voltou a ser ouvido em tribunal na sequência de um requerimento apresentado a 23 de junho, no qual o próprio ex-governante manifestou a intenção de prestar declarações, um ano após ter sido ouvido.
O arguido, de 67 anos, está pronunciado de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido, através de testas-de-ferro, dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena — para o qual Carlos Santos Silva trabalhava –, o Grupo Espírito Santo (GES) e o empreendimento Vale do Lobo, no Algarve.
Portas é que negociou acordo do Grupo Lena, diz Sócrates Ler Mais O processo conta, no total, com 21 arguidos, que respondem globalmente por 117 crimes económico-financeiros.
Em julgamento estão Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, acusado de 23 crimes; Joaquim Barroca, ex-administrador da construtora do Grupo Lena, acusado de 15 crimes; José Pinto de Sousa, empresário e primo de José Sócrates, acusado de dois crimes; Hélder Bataglia, empresário, acusado de cinco crimes; Sofia Fava, ex-mulher de Sócrates, acusada de um crime.
O Ministério Público (MP) reclama aos arguidos um total de 58 milhões de euros, tendo arrestado vários bens.
Segundo as contas da acusação, José Sócrates teria dado cerca de 21 milhões de euros de prejuízo ao Estado, Zeinal Bava cerca de 16 milhões, Henrique Granadeiro cerca de 14 milhões, Carlos Santos Silva três milhões e 300 mil euros, Ricardo Salgado três milhões de euros e Armando Vara 1,4 milhões de euros.
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