Imagens revelam colapso de rocha e glaciar na fronteira Nepal-Tibete
A s cheias de quarta-feira causaram centenas de mortos no Nepal e no Tibete, enquanto centenas de pessoas continuam desaparecidas.
Citados pela agência de notícias Associated Press, os geomorfólogos Kristen Cook e Dan Shugar afirmaram que as primeiras imagens do Nepal estavam encobertas por nuvens e poeiras levantadas pelos detritos, permitindo apenas observar que parte de um glaciar se tinha desprendido do pico Langtang Lirung, perto da fronteira com o Tibete.
Em imagens mais nítidas, obtidas na quinta-feira, os investigadores conseguiram perceber que a rocha subjacente ao glaciar desabou, arrastando uma enorme massa de gelo e lançando rochas e gelo para o vale.
"Mostra toda a área e conseguimos ver que parece não ter sido apenas este glaciar a desabar, mas também uma parte muito maior da própria rocha da encosta da montanha", afirmou Shugar, professor associado da Universidade de Calgary.
"Há este grande colapso rochoso que arrastou consigo parte do glaciar", acrescentou.
Shugar afirmou ser doloroso observar, nas imagens, as áreas a jusante onde viviam populações e perceber como os detritos soterraram aldeias.
Depois de atingirem o fundo do vale, os detritos mantiveram a força ao longo do vale íngreme e estreito, à medida que o gelo derretia, explicou Cook, investigadora da Universidade Grenoble Alpes, em França.
Imagens de satélite captadas antes e depois nas zonas de Kolpurtar, Betrawati e Syapru Besi, no Nepal, mostram que o rio está agora muito mais largo e apresenta uma coloração castanha e negra, depois de ter galgado as margens em algumas zonas e ficado repleto de detritos noutras.
As localidades e aldeias devastadas ao longo das margens do rio encontram-se cobertas por detritos e lama e surgem nas imagens como extensas áreas castanhas. Na região de Betrawati, algumas casas continuam parcialmente visíveis.
As cheias derrubaram e arrastaram edifícios em Syapru Besi, um destino turístico popular onde começa um conhecido percurso pedestre em direção ao pico Langtang Lirung.
As imagens captadas antes e depois da catástrofe mostram também um afluente mais largo, porque a força da corrente foi suficiente para empurrar a água no sentido contrário ao fluxo normal.
As cheias "deixaram um cenário de devastação" cuja recuperação demorará muitos anos, afirmou Alton Byers, geógrafo especializado em regiões montanhosas da Universidade do Colorado em Boulder.
Byers, que viveu no Nepal e regressa todos os anos ao país para estudar riscos associados aos glaciares e trabalhar com as comunidades na preparação para este tipo de catástrofes, afirmou tratar-se, de longe, da maior cheia provocada por um glaciar que alguma vez observou.
O investigador, do Instituto de Investigação Ártica e Alpina daquela universidade, considerou que as cheias estarão relacionadas com as alterações climáticas.
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