Irão: Choque energético pode travar 440 mil empregos na UE em 2026, estima Bruxelas
O choque energético provocado pelo conflito no Médio Oriente poderá travar a criação de 440 mil postos de trabalho na União Europeia em 2026, sobretudo nos transportes, agricultura e construção, indica a Comissão Europeia num relatório publicado esta terça-feira, 13 de outubro.
“Em 2026, o crescimento do emprego na UE [União Europeia] deverá situar-se em 0,3%, face aos 0,5% previstos antes do conflito, o que corresponde à criação de cerca de 440 mil postos de trabalho a menos”, alerta o executivo comunitário.
Num relatório sobre perspetivas europeias em matéria de emprego e assuntos sociais, a Comissão Europeia aponta que, num cenário mais desfavorável da guerra do Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas, “o crescimento do emprego permaneceria próximo de zero em 2026, o que significaria a criação de menos cerca de 900 mil postos de trabalho”.
De acordo com Bruxelas, a indústria transformadora, os transportes, a construção e o comércio deverão representar, em conjunto, 241 mil dos cerca de 440 mil postos de trabalho que deixarão de ser criados em 2026.
Estes são os setores mais afetados devido à sua intensidade energética, sendo que, no caso da agricultura, está também em causa o aumento dos preços dos fertilizantes.
Num cenário mais desfavorável, “este número aumentaria para 494 mil, de um total de cerca de 900 mil postos de trabalho que deixariam de ser criados”, acrescenta.
“O conflito no Médio Oriente provocou um choque energético significativo na UE.
As perturbações nas infraestruturas mundiais de petróleo e gás fizeram aumentar os preços da energia e a incerteza nos mercados, levando as empresas a enfrentar custos de produção mais elevados”, aponta Bruxelas no relatório hoje divulgado.
Perante o aumento dos custos operacionais, “prevê-se que as empresas contratem menos trabalhadores e, em alguns casos, reduzam mesmo os seus efetivos”, refere a instituição, falando numa “situação de enfraquecimento já existente nos mercados de trabalho”.
De igual modo, está previsto “um abrandamento significativo do crescimento dos salários reais, embora estes continuem a aumentar”, de acordo com o documento.
Os salários reais na UE deverão crescer 0,4% em 2026, abaixo dos 1,2% previstos antes do conflito no Médio Oriente, o que se deve sobretudo ao facto de os salários não acompanharem imediatamente a subida dos preços.
Em 2027, o crescimento deverá ser de 1,1%.
Num cenário mais negativo, os salários reais deverão aumentar apenas 0,2% em 2026 e praticamente estagnar em 2027.
Ainda assim, não se prevê uma queda dos salários reais, ao contrário do que aconteceu em 2022, aquando da crise energética após a invasão russa da Ucrânia.
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