Fitch alerta que espaço orçamental para novas medidas “não é ilimitado”
O Governo português tem “ mais flexibilidade orçamental” para tomar medidas para lidar com o aumento do custo de vida, face às contas públicas passadas, mas essa “margem não é ilimitada” .
A leitura é da agência de rating Fitch, que subiu recentemente a notação financeira de Portugal para A+ , o quinto patamar mais elevado de dívida de qualidade.
Reconhecendo que Portugal tem introduzido várias medidas de redução de impostos para os trabalhadores e empresas nos últimos anos, o diretor-adjunto da Fitch para a dívida soberana, Utku Bora Geyikci, salienta que “ os resultados orçamentais têm superado consistentemente as expectativas e a dívida tem continuado a diminuir “.
A análise foi feita num webinar com jornalistas em que os responsáveis explicaram o racional por detrás da mais recente subida do rating .
No que toca ao desenho de novas medidas, para este responsável, o principal aspeto é que sejam “compatíveis com a preservação de uma política orçamental prudente e com a manutenção da trajetória descendente da dívida , que tem sido fundamental para as revisões [do rating ] em alta”.
Governo vai aprovar baixa do IRS com “equilíbrio orçamental” Ler Mais O Governo deverá aprovar esta quinta-feira em Conselho de Ministros uma descida do IRS , apoios face à subida dos preços dos combustíveis e o bónus para pensionistas .
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, falará depois ao país .
Já na sexta-feira realiza-se um debate de urgência no Parlamento , pedido pelo Partido Socialista, dedicado ao aumento do custo de vida.
Ainda esta manhã, o chefe de Governo garantiu que a descida do imposto sobre os rendimentos não vai comprometer o “equilíbrio orçamental”, numa altura em que as Finanças esperam chegar ao final do ano com um saldo orçamental nulo.
Luís Montenegro mostrou-se ainda mais otimista e acredita que o país está “a caminho do quarto superávit consecutivo ” Economia explica parte de redução da dívida e excedente ajuda Utku Bora Geyikci justificou ainda a subida do rating para o mesmo patamar da S&P e Fitch, com a redução do rácio da dívida pública sobre o PIB , para o qual tem contribuído também o forte crescimento económico .
No entanto, a evolução da economia não é razão suficiente.
“Portugal também tem gerado um excedente primário significativo e sustentado nos últimos anos, o que ajudou a conter as necessidades de financiamento” , detalhou.
Relativamente ao futuro, o responsável não se quis comprometer com mexidas na notação financeira do país, mas fez notar que os dois principais focos de atenção são o rácio da dívida sobre o PIB e a sustentabilidade dessa dívida e a expectativa é que ambos melhorem nos próximos tempos.
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