Israel procura fontes de documentário que acusa exército de matar civis
M iki Zohar já tinha sugerido no domingo à noite que fosse retirada a nacionalidade israelita aos realizadores Yuval Abraham e Rachel Szor, cujo documentário venceu o prémio especial em Veneza, acusando-os de "traição contra o Estado".
O ministro voltou hoje a acusar os realizadores de "falta de lealdade para com o Estado e de colaboração com o inimigo", de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).
"Pedi também que se investigue a forma como os elementos foram obtidos, quem está por trás e que se verifique se as atividades que levaram à sua recolha e publicação podem ter ajudado o inimigo em tempo de guerra", acrescentou.
Também o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, da extrema-direita, se insurgiu contra o documentário e considerou que Abraham e Szor "são uma vergonha e uma desgraça para todo o povo de Israel".
"Desapareçam. Tenho a certeza de que os vossos amigos, os nossos inimigos no Hamas em Gaza, vos receberão de braços abertos", escreveu nas redes sociais.
Estas acusações graves ilustram a veemência com que as autoridades israelitas rejeitam qualquer crítica à forma como conduzem a guerra contra o Hamas em Gaza.
A ofensiva em Gaza seguiu-se aos piores massacres de sempre em Israel pelo movimento extremista palestiniano em 07 de outubro de 2023, em que morreram cerca de 1.200 pessoas e 250 foram feitas reféns.
A retaliação israelita causou mais de 73.000 mortos em Gaza, de acordo com as autoridades locais controladas pelo Hamas, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e centenas de milhares de deslocados.
A ofensiva militar em Gaza motivou acusações de genocídio a Israel, que mantêm altas restrições à entrada de jornalistas e observadores independentes na Faixa de Gaza.
A perda de nacionalidade é legalmente possível em Israel, embora seja raramente aplicada.
O pedido deve partir do Ministério do Interior e ser aprovado por juízes.
O documentário "NAZA" baseia-se nos testemunhos anónimos de 24 membros do exército e dos serviços secretos israelitas.
"NAZA" expõe a forma como, de acordo com os depoimentos, as forças israelitas matam numerosos civis na tentativa de eliminar membros do Hamas.
No documentário de 80 minutos, os entrevistados descrevem como vários sistemas tecnológicos, recorrendo em particular à Inteligência Artificial (IA), permitem ao exército localizar, através dos telemóveis, alegados membros do Hamas e as suas famílias.
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