Sudão: Morte de 72 mineiros perto do Egito classificada como acidente
O Conselho Soberano sudanês, órgão máximo de Governo, controlado pelos militares, qualificou hoje de "acidente" a morte de pelo menos 72 mineiros numa zona fronteiriça com o Egito, apesar das denúncias de organizações de direitos humanos.
Abdel Fattah al-Burhane, chefe de Estado do país e dirigente do conselho, constituiu uma comissão "para investigar as circunstâncias do incidente", de acordo com um comunicado do Conselho de Soberania.
A comissão é composta por procuradores, responsáveis judiciais e representantes dos serviços de segurança.
Num comunicado, o conselho expressou condolências pelo "trágico acidente em que estiveram envolvidos vários mineiros sudaneses na região fronteiriça entre o Sudão e a República Árabe do Egito", sem avançar detalhes sobre o sucedido, nem responsabilizar qualquer interveniente.
Do mesmo modo, apontou que "os líderes de ambos os países irmãos" - numa referência a Al-Burhan e ao Presidente egípcio, Abdelfatah al Sisi, que não foi explicitamente mencionado - "entraram em contacto imediatamente após o acidente para garantir a proteção de vidas e preservar a relação entre os dois povos irmãos".
O Egito é o principal aliado do exército sudanês na guerra contra o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), sendo também um apoio político fundamental para a legitimidade do Governo sudanês.
Esse conflito armado, que eclodiu a 15 de abril de 2023, já causou a morte de dezenas de milhares de pessoas e o deslocamento interno e externo de mais de 14 milhões de pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
No domingo, a Organização Não-Governamental (ONG) Emergency Lawyers (Advogados de Emergência) atribuiu o ataque à força aérea egípcia, que não fez quaisquer comentários.
Em junho, um ataque contra a mesma mina artesanal de Jabal al-Uqaydat matou 23 mineiros, na sequência de ataques também imputados ao Egito.
O exército egípcio não reconheceu esses ataques, mas afirmou, na altura, ter realizado uma "operação de grande envergadura" contra a extração ilegal de ouro dentro das suas fronteiras.
A fronteira entre o Sudão e o Egito é contestada, com ambos os países a reivindicarem a soberania do triângulo de Halaib, rico em minerais.
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