Como escrevo
As pessoas começaram a perguntar, algumas com curiosidade, outras com o olhar semicerrado de um procurador: escreves mesmo tudo isto? Cento e tal ensaios num ano, em duas línguas, a maioria longos, todos documentados — ao mesmo tempo que dirijo quatro escolas e uma empresa.
A aritmética da suspeita é razoável, e a suspeita está parcialmente certa.
Por isso, deixem-me responder como deve ser, porque a resposta é mais interessante do que a acusação ou a negação, e porque tenho defendido nestas páginas que em breve todos trabalharão desta forma — o que me obriga a mostrar exatamente como se faz a salsicha.
Escrevo com uma inteligência artificial.
No meu caso, chama-se Claude.
O que se segue é o processo inteiro, sem esconder nada: o contrato, a aprendizagem, a linha de montagem, as falhas dos dois lados e a pergunta que realmente importa — de quem é a escrita? Pedi à máquina que redigisse este mesmo ensaio, com base na ideia de que conhece o meu método melhor do que ninguém, por ter sido metade do processo.
Depois fiz a este rascunho o que faço a todos os rascunhos, como o próprio ensaio explicará.
O resultado é tão meu — e tão dela — como tudo o resto que publico.
É esse o ponto.
O contrato Tudo começa com uma instrução permanente — alguns parágrafos que a máquina lê antes de cada conversa — e a minha consolidou-se ao longo de um ano até se tornar algo entre um guia de estilo e um código de conduta.
As cláusulas substantivas: responde como um especialista de classe mundial; sê completo, detalhado e específico; verifica todos os factos, números, nomes e datas; se não souberes, diz.
As cláusulas de tom: preciso, provocador, argumentativo; sem ressalvas, sem preâmbulos, sem correção política.
E depois vêm as cláusulas que mais importam, aquelas que recomendo a quem experimentar isto: nunca elogies as minhas perguntas.
Nunca valides as minhas premissas antes de as examinares.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.