Ucrânia envia delegação para os EUA para retomar negociações com a Rússia
"São momentos importantes. A nossa equipa está hoje na Europa. Amanhã [sexta-feira] e depois de amanhã [sábado] estará nos Estados Unidos (EUA)", afirmou Volodymyr Zelensky, citado pela agência ucraniana Ukrinform durante uma visita ao local do ataque russo que, na quarta-feira, matou 22 civis na cidade de Priluki, no norte do país, onde esteve acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Ed Miliband.
Zelensky especificou que a equipa ucraniana irá reunir-se com os enviados especiais norte-americanos Jared Kushner e Steve Witkoff, acrescentando que "conta também com a participação de uma equipa europeia".
O líder ucraniano afirmou no fim de semana passado que a Ucrânia aceita a proposta dos Estados Unidos para que as reuniões tripartidas, destinadas a encontrar uma solução negociada para a guerra entre representantes dos três países, sejam retomadas o mais rapidamente possível nos Emirados Árabes Unidos, tal como proposto por Washington.
Segundo o chefe de Estado ucraniano, a Rússia ainda não respondeu a esta proposta.
Os contactos diretos entre ucranianos e russos, mediados por Washington, foram interrompidos com o início da guerra no Irão, no final de fevereiro, e não foram retomados desde então.
Com o apoio de Washington, Kiev propõe um cessar-fogo imediato para negociar o fim da guerra, mas o Kremlin rejeitou até agora esta proposta e também não demonstrou interesse na reunião entre presidentes que Zelensky propõe realizar com os homólogos russo, Vladimir Putin, e norte-americano, Donald Trump.
Os contactos de sexta-feira e sábado entre os negociadores ucranianos e os mediadores dos Estados Unidos terão lugar após os ataques russos terem matado mais de 60 pessoas na Ucrânia nas últimas 24 horas.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
Os ataques têm vindo a intensificar-se nos últimos meses em ambos os lados da frente, fazendo um número crescente de vítimas civis, e as negociações entre as duas partes estão num impasse.
O ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, rejeitou hoje a possibilidade de reconciliação entre a Rússia e a Ucrânia ou de prever o fim da guerra.
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