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Sobre memórias da cólera (IV)

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Tal como sublinhei, a “Carta Aberta” que Gonçalves Ferreira (governante antes da Revolução) endereçou ao seu sucessor Cruz Oliveira (MFA) não adquiriu eco.

Ainda bem que assim sucedeu, uma vez que formulava críticas infundadas que apenas refletiam azedume injustificável.

Depois de 25 de Abril, Portugal era diferente.

Livre.

Sem censura.

Implicado na construção do futuro.

Quase ninguém pretendia voltar atrás.

Naturalmente, nessa época, as debilidades em infraestruturas de saneamento e de habitação eram semelhantes às anteriormente existentes, em 1971.

Mas, volvidos três anos, o panorama agravou-se devido ao inesperado aumento da população na sequência da descolonização que fez retornar ao país cerca de 600 mil pessoas.

Somente no ano de 1975, em curto período de tempo, registaram-se 500 mil novos residentes, dos quais mais de 60% oriundos de Angola, onde circulava a cólera de igual tipo: Inaba.

Portanto, este fluxo migratório, traduzido pelo aumento repentino de 5% da população, acabaria por agravar as condições de habitat, em particular nas regiões pobres e degradadas, incluindo em zonas rurais.

A situação era, assim, propícia à propagação de cólera, até a partir de pessoas infetadas sem sintomatologia que mantinham a capacidade de transmitirem o vibrião por via fecal-oral (pelo consumo de água e de alimentos contaminados).

As áreas desprovidas de sistemas de aprovisionamento de água potável e com carência de redes de esgotos eram críticas.

A epidemia terminou em novembro de 1974.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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